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domingo, 18 de novembro de 2018
sexta-feira, 31 de março de 2017
A Igreja discrimina os homossexuais?
Em Resposta ao Caso polémico e midiático em Portugal, onde acusam um padre católico de expulsar o maestro João Maria do coro da igreja por ser homossexual:
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-03-08-Padre-expulsa-maestro-homossexual-do-coro
terça-feira, 28 de março de 2017
A Igreja é contra o divórcio
Em Portugal existe uma estatística muito triste,
70% dos casamentos termina em divórcio. É o país europeu onde há mais separações.
É uma grande contradição que num país católico isso possa ser uma realidade. Gostaria
de enfatizar nessa publicação que a Igreja Católica é contra o divórcio.
O que está a seguir não é minha opinião pessoal,
é um fragmento do Catecismo da Igreja sobre o tema em questão:
§2382 O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que queria um casamento indissolúvel. Ab-roga as tolerâncias que se tinham introduzido na Lei antiga.
Entre batizados, o matrimonio ratificado e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder humano nem por nenhuma causa, exceto a morte".
Divórcio civil
§2383 A separação dos esposos com a manutenção do vínculo matrimonial pode ser legítima em certos casos previstos pelo Direito canônico (cf. CIC, cânones 1151-1155).
Se o divórcio civil for a única maneira possível de garantir certos direitos legítimos, o cuidado dos filhos ou a defesa do patrimônio, pode ser tolerado sem constituir uma falta moral.
Definição de divórcio
§2384 O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente:
Se o marido, depois de se separar de sua mulher, se aproximar de outra mulher, se torna adúltero, porque faz essa mulher cometer adultério; e a mulher que habita com ele é adúltera, porque atraiu a si o marido de outra.
Conseqüências do divórcio entre cônjuges católicos
§1650 São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e que contraem civicamente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo ("Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu marido e desposar outro comete adultério": Mc 10,11-12), afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam a casar-se no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar esta situação. Pela mesma razão não podem exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação pelo sacramento da Penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometem a viver numa continência completa.
§1664 A unidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade essenciais ao Matrimônio. A poligamia é incompatível com unidade do matrimônio; o divórcio separa o que Deus uniu; a recusa da fecundidade desvia a vida conjugal de seu mais excelente": a prole.
§2385 O caráter imoral do divórcio deriva também da desordem que introduz na célula familiar e na sociedade. Esta desordem acarreta graves danos: para o cônjuge que fica abandonado; para os filhos, traumatizados pela separação dos pais, e muitas vezes disputados entre eles (cada um dos cônjuges querendo os filhos para si); e seu efeito de contágio, que faz dele urna verdadeira praga social.
§2400 O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são ofensas graves à dignidade do casamento.
Inocência do cônjuge injustamente abandonado
§2386 Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente do divórcio decidido pela lei civil; neste caso, ele não viola o preceito moral. Existe uma diferença considerável entre o cônjuge que se esforçou sinceramente por ser fiel ao sacramento do Matrimônio e se vê injustamente abandonado e aquele que, por uma falta grave de sua parte, destrói um casamento canonicamente válido.
Obra de caridade para com os divorciados
§1651 A respeito dos cristãos que vivem nesta situação e geralmente conservam a fé e desejam educar cristãmente seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar prova de uma solicitude atenta, a fim de não se considerarem separados da Igreja, pois, como batizados, podem e devem participar da vida da Igreja:
Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus.”
Há casos que infelizmente o divórcio é inevitável.
Aconselho essas pessoas a procurar a Igreja, para verificar se o seu matrimónio
foi mesmo válido. Muitas uniões, depois de analisadas, verifica-se que na
verdade são nulas. Tendo a comprovação da nulidade do primeiro casamento a
pessoa poderá se casar na Igreja, pois é como se fosse solteira, não havendo
impedimento moral para a nova união. Porém se a primeira união for considerada
válida, essa pessoa não deveria se casar novamente, pois a nova relação será
considerada um adultério.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
A Propósito da Notícia do Papa Alargar a Absolvição do Aborto a Todos os Sacerdotes
Fui durante algum tempo
missionária na missão Mãos Erguidas, criada pela Exma. Senhora Leonor Castro, a
porta da Clínica dos Arcos, em Lisboa. Tive neste lugar alguma experiência
sobre o enorme desespero das mulheres que recorrem ao abortório por uma solução
que no momento acreditam ser acertada.
Essas mulheres depois passam por
um excruciante sofrimento que muitas vezes levam por toda a vida. Por isso é uma
medida louvável a que o Papa Francisco tomou, facilitando o perdão das mulheres
que fizeram aborto mas, arrependidas, recorrem ao sacramento da confissão.
"Não existe
algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir", escreveu o Papa Francisco na carta apostólica "Misericórdia
e Mísera".
Anteriormente uma mulher nessa
situação teria que recorrer ao Bispo para poder se confessar, por causa da
gravidade de seu pecado. Agora, todos os padres poderão receber essa mulher e
dá-lhe a absolvição, desde que haja arrependimento e acolhê-la na Igreja.
Mas atenção! Não se trata, porém,
de uma banalização do assunto, ou de um passo para a aprovação do aborto pela
Igreja. O aborto continua sendo um pecado grave, o assassinato de um ser humano
inocente.
De acordo com o Catecismos da
Igreja Catolica, a partir da concepção, existe um novo ser e Deus infunde nesse
ser uma nova alma (CIC 366). Por isso o aborto é um pecado grave contra o 5º. Mandamento
“Não Matarás”.
Porém, se Você Mulher, cometeu esse ato e está arrependida, não sofra sozinha,
em silêncio. Procure ajuda! Procure o Perdão de Deus, com o Padre de sua
paroquia, não tenha medo, nem vergonha!
Jesus revelou a Santa Faustina
o que diz a alma pecadora:
Jesus: Alma pecadora, não tenhas medo do teu Salvador, Eu sou o primeiro a aproximar-Me
de ti, pois sei que por ti mesma não és capaz de te elevar até Mim. Filhinha,
não fujas de Teu Pai, dispõe-te a dialogar a sós com o teu Deus de
misericordia, que quer dizer-te palavras de perdão e cumular-te com graças. Oh,
como me é querida a tua alma! Increvi-te nas Minhas mãos e gravada estás como
chaga profunda no Meu Coração.
Esse é o nosso Deus de
Misericordia e Amor!
Exitem dentro da Igreja grupos
de apoio como a Vinha de Raquel , por exemplo, que
acolhe mulheres nessa situação.
“Ninguem esquece um filho que
não nasceu!”
Leia a noticia em:
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
EUTANASIA - O que está em causa?
Nota
Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa
«Eutanásia:
o que está em causa?
Contributos
para um diálogo sereno e humanizador»
1. As questões ligadas à legalização da
eutanásia e do suicídio assistido estão em discussão na Assembleia da República
e na sociedade. Como contributo para esse debate, que desejamos seja em diálogo
sereno e humanizador, surge esta Nota Pastoral do Conselho Permanente da
Conferência Episcopal Portuguesa sobre o que verdadeiramente está em causa1
.
2. Por eutanásia, deve
entender-se «uma ação ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca
a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento»2 . A ela se pode
equiparar o suicídio assistido, isto é, o ato pelo qual não se causa diretamente
a morte de outrem, mas se presta auxílio para que essa pessoa ponha termo à sua
própria vida. Distinta da eutanásia é a decisão de renunciar à chamada
obstinação terapêutica3 , ou seja, «a certas intervenções médicas já
inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionadas aos resultados
que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a
sua família»4 . «A renúncia a meios extraordinários ou
desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a
aceitação da condição humana perante a morte»5 . É, pois, bem
diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutanásia, quer a obstinação
terapêutica, constituem uma ingerência humana antinatural nesse momento-limite
que é a morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma
artificialmente inútil e penosa.
3. De forma sintética, podemos
dizer que subjacente à legalização da eutanásia e do suicídio assistido está a
pretensão de redefinir tomadas de consciência éticas e jurídicas ancestrais
relativas ao respeito e à sacralidade da vida humana. Pretende-se que o
mandamento de que nunca é lícito matar uma pessoa humana inocente (“Não
matarás”) seja substituído por um outro, que só torna ilícito o ato de matar
quando o visado quer viver. Consequentemente, intenta-se que a norma segundo a
qual a vida humana é sempre merecedora de proteção, porque um bem em si mesma e
porque dotada de dignidade em qualquer circunstância, seja substituída por um
outro critério, segundo o qual a dignidade e valor da vida humana podem variar
e podem perder-se. Ora, na nossa conceção, isto é inaceitável.
4. Para os crentes, a vida não
é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é um dom de Deus e uma
missão a cumprir. E é no mistério da morte e ressurreição de Jesus que os
cristãos encontram o sentido do sofrimento. Mas quando se discute a legislação
de um Estado laico importa encontrar na razão, na lei natural e na tradição de
uma sabedoria acumulada um fundamento para as opções a tomar. O valor
intrínseco da vida humana em todas as suas fases e em todas as situações está
profundamente enraizado na nossa cultura e tem, inegavelmente, a marca
judaico-cristã. Mas não é difícil encontrar na razão universal uma sólida base
para esse princípio. A Constituição Portuguesa reconhece-o ao afirmar categoricamente
que «a vida humana é inviolável» (artigo 24º, nº 1).
5. A vida humana é o
pressuposto de todos os direitos e de todos os bens terrenos. É também o
pressuposto da autonomia e da dignidade. Por isso, não pode justificar-se a
morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser
homicídio por ser consentido pela vítima. A inviolabilidade da vida humana não
cessa com o consentimento do seu titular. O direito à vida é indisponível, como
o são outros direitos humanos fundamentais, expressão do valor objetivo da
dignidade da pessoa humana. Também não podem justificarse, mesmo com o
consentimento da vítima, a escravatura, o trabalho em condições desumanas ou um
atentado à saúde, por exemplo.
6. Por outro lado, nunca é absolutamente
seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia.
Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é
verdadeiramente livre, inequívoco e irreversível. Muitas vezes, traduz um
estado de espírito momentâneo, que pode ser superado, ou é fruto de estados
depressivos passíveis de tratamento, ou será expressão de uma vontade de viver
de outro modo (sem o sofrimento, a solidão ou a falta de amor experimentados),
ou um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção
dos outros. Mas não será a manifestação de uma autêntica vontade de morrer. É,
pois, uma linguagem alternativa de quem pede socorro e proximidade afetiva. A
dúvida há de subsistir sempre, sendo que a decisão de suprimir uma vida é a
mais absolutamente irreversível de qualquer das decisões.
7. Em nome da autonomia, os que defendem a
legalização da eutanásia e do suicídio assistido não chegam, por ora, ao ponto
de pretender a legalização do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio em
quaisquer circunstâncias. Pretendem apenas reconhecer a licitude da supressão
da vida, quando consentida, em situações de sofrimento intolerável ou em fases
terminais. Desta forma, atentam contra o princípio de que a vida humana tem
sempre a mesma dignidade, em todas as suas fases e independentemente das
condições externas que a rodeiam. A dignidade da vida humana deixa de ser uma
qualidade intrínseca, passa a variar em grau e a depender de alguma dessas
condições externas. Haveria, pois, situações em que a vida já não merece
proteção (a proteção que merece na generalidade das situações), por perder
dignidade.
8. Invocam os partidários da
legalização da eutanásia e do suicídio assistido que, com essa legalização, se
respeita, apenas, a vontade e as conceções sobre o sentido da vida e da morte,
de quem solicita tais pedidos, sem tomar partido. Mas não é assim. O Estado e a
ordem jurídica, ao autorizarem tal prática, estão a tomar partido, estão a
confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situações de total dependência
dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois só nessas situações
seria lícito suprimi-la. 3 Quando um doente pede para morrer porque acha que a
sua vida não tem sentido ou perdeu dignidade, ou porque lhe parece que é um
peso para os outros, a resposta que os serviços de saúde, a sociedade e o
Estado devem dar a esse pedido não é: «Sim, a tua vida não tem sentido, a tua
vida perdeu dignidade, és um peso para os outros». Mas a resposta deve ser
outra: «Não, a tua vida não perdeu sentido, não perdeu dignidade, tem valor até
ao fim, tu não és peso para os outros, continuas a ter valor incomensurável
para todos nós». Esta é a resposta de quem coloca todas as suas energias ao
serviço dos doentes mais vulneráveis e sofredores e, por isso, mais carecidos
de amor e cuidado; a primeira é a atitude simplista e anti-humana de quem não
pretende implicar-se na questão do sentido da verdadeira «qualidade de vida» do
próximo e embarca na solução fácil da eutanásia ou do suicídio assistido.
9. Não se elimina o sofrimento
com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. O sofrimento
pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, não com a morte. E
hoje, as técnicas analgésicas conseguem preservar de um sofrimento físico intolerável.
Desta forma, pode afirmar-se que a eutanásia é uma forma fácil e ilusória de
encarar o sofrimento, o qual só se enfrenta verdadeiramente através da medicina
paliativa e do amor concreto para com quem sofre. Como afirma Bento XVI, «a
grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento
e com quem sofre»6. Para além do círculo afetivo dos seus familiares
e amigos, a dignidade de quem sofre reclama o cuidado médico proporcionado,
mesmo que os atos terapêuticos e os analgésicos possam, pelo efeito secundário
inerente a muitos deles, contribuir para algum encurtamento da vida. Neste
caso, não se trata de eutanásia, pois o objetivo não é dar a morte, mas
preservar a dignidade humana e a «santidade de vida», minimizando o sofrimento
e criando as condições para a «qualidade de vida» possível.
10. A mensagem que, através da
legalização da eutanásia e do suicídio assistido, assim se veicula tem graves
implicações sociais, que vão para além de cada situação individual. Esta
mensagem não pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passará a
encarar a doença e o sofrimento. Há o sério risco de que a morte passe a ser
encarada como resposta a estas situações, já que a solução não passaria por um
esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da
vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E
é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! Neste novo contexto cultural, o
amor e a solidariedade para com os doentes deixarão de ser tão encorajados,
como já têm alertado associações de pessoas que sofrem das doenças em questão e
que se sentem, obviamente, ofendidas quando veem que a morte é apresentada como
“solução” para os seus problemas. E também é natural que haja doentes, de modo
particular os mais pobres e débeis, que se sintam socialmente pressionados a
requerer a eutanásia, porque se sentem “a mais” ou “um peso”. É este, sem
dúvida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da população e de
restrições financeiras dos serviços de saúde que implícita ou explicitamente se
podem questionar: para quê gastar tantos recursos com doentes terminais quando
as suas vidas podem ser encurtadas?
11. Não podemos ignorar que,
entre nós, uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e
isolados, não tem acesso aos cuidados paliativos, que são a verdadeira resposta
ao seu sofrimento. A legalização da eutanásia e do suicídio assistido
contribuirá para atenuar a consciência social da importância e urgência de
alterar esta situação, porque poderá ser vista como uma alternativa mais fácil
e económica. 12. Com esta Nota Pastoral, apelamos à consciência dos nossos
legisladores. Mas também sabemos que uma grande percentagem dos nossos
concidadãos afirma aprovar a legalização da eutanásia e do suicídio assistido.
Estamos convictos de que muitos o fazem sem a consciência clara do que está
verdadeiramente em causa. Daí a importância de um vasto trabalho de
esclarecimento para o qual queremos dar o nosso contributo. No Ano Jubilar da
Misericórdia, recordamos que esta nos leva a ajudar a viver até ao fim. Não a
matar ou a ajudar a morrer.
Fátima, 8 de março de 2016
1
Sugerimos também a leitura da Nota Pastoral da Conferência Episcopal
Portuguesa, «Cuidar da Vida até à Morte». Contributo para a reflexão ética
sobre o morrer, publicada a 12 de novembro de 2009, in Documentos Pastorais,
vol. VII, Lisboa 2002, 123-131.
2
João Paulo II, Carta encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995), n. 65.
3
Também designada por “encarniçamento médico”.
4
João Paulo II, Carta encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995), n. 65. 5
Ibidem.
6.
Carta encíclica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), n. 38. 4
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Eutanásia fora de controlo na Bélgica, alerta especialista!
Directora do Instituto
Europeu de Bioética espera que Portugal consiga travar a legalização da
eutanásia.
“Não tenho muito orgulho no meu país nesta
matéria, mas estou aqui para vos contar a experiência de 14 anos da lei que
permite a eutanásia na Bélgica”. Foi assim que Carine Brochier, directora do
Instituto Europeu de Bioética, se apresentou no primeiro debate promovido pela
recém-criada plataforma Pensar & Debater.
A Bélgica foi o segundo
país europeu a legalizar a eutanásia, em 2002, um ano depois da Holanda. Em
2009 foi o Luxemburgo.
A ideia inicial das
autoridades belgas era permitir um uso restrito e acabar com as eutanásias
clandestinas. Em entrevista à Renascença, Carine Brochier diz que a
realidade é diferente.
“Catorze anos depois
vemos que não só continuam a existir eutanásias clandestinas, como também não
se controla o que se passa, por exemplo, nas casas de repouso, nos hospitais e
nas casas dos pacientes que pedem a eutanásia. É tão difícil controlar os
termos da lei, por exemplo o sofrimento insuportável. Como querem controlar
isso, é impossível”, afirma a directora do Instituto Europeu de Bioética.
À audiência presente no
debate realizado na última semana deixou um apelo: transmitam aos políticos
portugueses que esta não é uma situação sustentável.
Questionada sobre o que
fazer, Carine Brochier frisou que é preciso estar informado e preparado para
rebater a argumentação das pessoas que defendem a eutanásia.
“Em nome da minha
autonomia e porque estou a sofrer, peço e tenho o direito de pedir ao meu
médico que me mate? Não é assim. A pessoa é um ser de relações, não estamos
sozinhos numa ilha. Temos uma família e todo um mundo à nossa volta que amamos
e nos ama.”
Para Caroline Roux, da
organização francesa SOS - Fin de Vie, “a morte tornou-se um assunto tabu e nem
as famílias nem as sociedades actuais sabem como a acompanhar”.
Numa altura em que a
questão da morte assistida já entrou no debate nacional, nomeadamente com a
entrega no Parlamento de uma petição que defende a eutanásia, outro
participante francês na conferência da plataforma Pensar & Debater,
Tugdual Derville, da Alliance VITA, deixou o alerta: quando as pessoas resistem
à palavra eutanásia, os seus defensores mudam para “ajuda a morrer”.
“O ano passado, na
Bélgica foram declarados 2.021 casos. Começámos com 232 casos em 2003 e
progressivamente, chegámos a mais de duas mil pessoas que pediram a eutanásia.
Mas ainda muitos outros”, sublinha Carine Brochier que, sem querer arriscar
números, aponta para mais um milhar de casos que os médicos não declararam.
Mas se na Bélgica existe
uma lei que permite a eutanásia porque é que não declaram? Porque receiam estar
fora da lei ou porque não foi o doente que pediu mas sim a família, diz a
directora do Instituto Europeu de Bioética.
Há uma comissão de
controlo, mas este é feito à posteriori. “E como a pessoa já está morta, não
pode reclamar”. Por outro lado, a família não vai fazer um escândalo. “Se é uma
avó de 85 anos e que ainda por cima tem problemas de demência, por exemplo, a
família vai dizer que o melhor que lhe poderia acontecer era morrer. Mas
acredito que o melhor que lhe poderia acontecer era ser acompanhada, por
exemplo, num sistema de cuidados paliativos até à morte. Porque há coisas tão
belas que se podem passar nos últimos momentos de vida”, defende Carine
Brochier.
No dia 26 de Abril
chegou ao Parlamento português uma petição com oito mil assinaturas em que
defende a despenalização da morte assistida. A questão da eutanásia vai entrar
no debate político mais cedo ou mais tarde, mas já entrou na discussão social.
Há muito pouca
informação sobre os cuidados de fim de vida e o acesso aos cuidados paliativos.
Para ajudar a formar opinião, a recentemente criada plataforma Pensar &
Debater escolheu o tema da eutanásia para inaugurar a sua actividade. E
convidou especialistas franceses e belgas para o debate “Eutanásia … uma questão
de vida ou de morte”.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
“Barrigas de aluguer” voltam à discussão no Parlamento
O Parlamento pode vir a legalizar a gestação de substituição em Portugal. O que é? Como e onde acontece? O que defende a Igreja?
Após vários adiamentos, está agendada para esta quinta-feira a votação das técnicas de fertilidade. O grupo de trabalho na Assembleia da República discute o alargamento das técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) a todas as mulheres, independentemente de serem casadas, solteiras ou viúvas. Em discussão vai estar também a chamada gestação de substituição, também descrita pelos termos “barrigas de aluguer” ou “maternidade substitutiva”. As expressões são sinónimas e designam o mesmo acto.
Afinal, o que é que está em causa quando se fala de “barrigas de aluguer”?
O que é a "gestação de substituição"?
Vulgarmente conhecida por "barrigas de aluguer", a gestação de substituição é a situação em que uma mulher dispõe-se a estar grávida e a dar à luz uma criança que será criada para outros.
Em alguns países, é uma possibilidade nomeadamente para os casais em que a mulher não pode ter filhos biológicos (por sofrer de disformidade ou carência do útero, por exemplo).
Através de técnicas de procriação medicamente assistida, a parturiente recebe no seu útero um óvulo fecundado e gera uma criança. A criança, depois do parto, é entregue a outrem. A parturiente renuncia aos poderes e deveres próprios e característicos da maternidade.
Dependendo da legislação do país, a criança é adoptada ou registada em nome daqueles que contrataram a parturiente.
Como se processa?
Há um contrato com uma mulher disponível a ceder o seu útero. Processa-se através de técnicas de procriação medicamente assistida.
Existem dois grandes tipos de processos de gestação de substituição. No primeiro, a mulher que cede o útero e os seus gâmetas é inseminada artificialmente com o esperma do homem que contratou a parturiente. No segundo, no útero da parturiente são alojados embriões, fecundados in vitro, do casal que a contratou. É também prática comum, para ambos os casos, que óvulos e/ou esperma sejam provenientes de bancos de doação.
Como, quando e onde surgiu?
No ano de 1978 nasceu a primeira criança resultado de fertilização “in vitro”. Em 1980, no Michigan, EUA, um advogado, ligado a um centro de estudos clínicos sobre a infertilidade, escreveu o primeiro contrato de gestação de substituição. Em 1985, realizou-se, com sucesso, a primeira gravidez por gestação de substituição.
O que permite a actual legislação portuguesa?
Não é permitido recorrer à gestação de substituição. "São nulos os negócios jurídicos, gratuitos ou onerosos, de maternidade de substituição", diz a lei 32/2006, de 26 de Julho. "A mulher que suportar uma gravidez de substituição de outrem é havida, para todos os efeitos legais, como a mãe da criança que vier a nascer”, refere a lei.
Quem pratique ou leve outros a praticar a gestação de substituição arrisca-se a uma "pena de prisão até dois anos ou pena de multa até 240 dias", afirma.
Mas é permitido no estrangeiro?
Só numa minoria de países. Alguns países da União Europeia (UE), como Grécia, Bélgica, Reino Unido, Ucrânia e Dinamarca, permitem. É ainda possível recorrer à gestação de substituição na Rússia, Israel, Índia, Brasil, Canadá e alguns dos Estados Unidos da América, entre outros.
A Grécia é o país da UE com a legislação mais completa sobre o assunto. É o único que apresenta enquadramento jurídico sobre os direitos da parturiente e do casal que contrata.
No Reino Unido a gestação de substituição a troco de dinheiro é proibida e o assunto não pode ser levado a tribunal. Assim, a parturiente pode não cumprir o contrato sem que haja qualquer consequência judicial.
A Bélgica não proíbe, mas o contrato não é sustentado juridicamente. No registo da criança, no nome da mãe, consta o da parturiente.
Entre os países fora da Europa, a legislação é muito semelhante. A Índia é onde se registam mais casos de gestação de substituição. A legislação foi aprovada em 2012 e a prática é possível a troco de dinheiro e cuidados da parturiente. Facilidade logística e jurídica, baixo preço e intensivas campanhas de publicidade constituem os principais motivos que levam os estrangeiros a recorrer às barrigas de aluguer indianas.
O Brasil tem a particularidade de a parturiente ter de ser da família próxima (até ao segundo grau de parentesco) da mulher que a contratou. O contrato não pode envolver dinheiro.
O que defende a Igreja Católica?
É uma prática desonesta, defende a Igreja. "As técnicas que provocam a dissociação dos progenitores pela intervenção duma pessoa estranha ao casal (dádiva de esperma ou ovócito, empréstimo de útero) são gravemente desonestas”, diz o Catecismo da Igreja Católica.
E porquê? Na fertilização in vitro e na gestação de substituição, "o acto fundador da existência do filho deixa de ser um acto pelo qual duas pessoas se dão uma à outra, e remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos”.
Explica o Catecismo que, nestes casos, é “instaurando o domínio da técnica sobre a origem e destino da pessoa humana. Tal relação de domínio é, de si, contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”.
Outros contributos para a compreensão do juízo da Igreja encontram-se nas Instruções da Congregação para a Doutrina da Fé "Donum Vitae", de 1987, e "Dignitas Personae", de 2008.
E o que diz a Igreja aos casais que sofrem o drama da infertilidade?
Prefira-se a adopção. A Igreja acentua o valor da dignidade humana de cada pessoa. E relembra que não existe o "direito ao filho" (“seria contrário à sua dignidade e à sua natureza”, diz a instrução "Donum Vitae"). O direito à maternidade ou à paternidade poderia constituir um projecto de realização pessoal, que vai contra o superior interesse da criança.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Por que o celibato incomoda tanta gente?
Uma curiosidade: por que tanta gente olha para o celibato pelo viés negativo da renúncia e tão poucas olham pelo viés da alegria que é escolher um caminho entre tantos outros?
O celibato em palavras muito simples é a condição daquela pessoa que opta por não fazer uso das suas faculdades sexuais. Na Igreja, essa disciplina foi adotada paulatinamente, tendo sua primeira aparição oficial já no século VI, no Concílio de Elvira. No Concílio de Trento, no século XVI, o celibato foi adotado para toda a Igreja ocidental e incorporado ao direito canônico como disciplina para todo o clero.
Esse é o resumo de uma história que poderia parecer simples. Afinal, quando alguém entra no seminário para ser padre, sabe muito bem o que abraça e abraça livremente. No entanto, ao que me parece, essa história é cheia de argumentos apaixonados, seja daqueles que são contra ou daqueles que são a favor. E é justamente aí que surge algo estranho. As opiniões, quase em sua totalidade, são de pessoas a quem o celibato em nada afeta. Os maiores interessados: bispos, padres, frades e seminaristas, estão felizes com a sua escolha de vida.
Por que estão felizes? Simplesmente porque estão cumprindo cegamente uma norma que a Igreja inventou para supostamente preservar sua riqueza dos possíveis herdeiros dos padres? Pelo contrário. A Igreja possui argumentos racionais e extremamente evangélicos para justificar tal disciplina eclesiástica. O papa Paulo VI vai dar pelo menos três argumentos: o primeiro deles é cristológico. Dado que o padre é imitador de Cristo, deve configurar-se ao máximo ao Divino Mestre. Como Cristo foi celibatário, assim também o padre deve sê-lo. Simples assim; O segundo é eclesiológico: o padre opta pelo celibato para dedicar-se mais inteiramente à salvação das almas. Por fim, o papa nos apresenta o argumento escatológico. O celibato seria um sinal da condição dos filhos de Deus na glória. Resumindo, imitar a Cristo é o máximo de felicidade a que o homem pode aspirar. Nesse sentido, os padres estão muito felizes, obrigado.
Chega a ser irritante ouvir as pessoas comentarem sobre o assunto. Algumas sugerem que o padre opta pelo celibato por não “gostar de mulher”, outras olham para o padre como um coitado, que priva-se do matrimônio como se esse fosse o único caminho de felicidade. Uma curiosidade: por que tanta gente olha para o celibato pelo viés negativo da renúncia e tão poucas olham pelo viés da alegria que é escolher um caminho entre tantos outros?
No fundo, acredito que a resposta esteja na concepção errada que as pessoas têm de amor. Enquanto amor for um meio para satisfação pessoal, poucos entenderão o celibato e, consequentemente, o sacerdócio. Celibato é sacrifício, é doação, entrega, renúncia. Aliás, como é qualquer outra vocação, inclusive o matrimônio. Quem é capaz de se sacrificar diariamente pelo bem do outro no matrimônio entende que o padre faz o mesmo por Deus no sacerdócio. Por outro lado, quem vê o amor de forma deturpada, naturalmente não entenderá o celibato. Afinal, se não há “ninguém” para satisfazer as necessidades do pobre padre, como ele será feliz? Realmente, para quem vê o amor desse jeito não faz o menor sentido.
Diante disso tudo, a pergunta ainda carece de ser respondida: por que o celibato incomoda tanta gente? Primeiramente porque hoje em dia vivemos uma cultura de comentaristas vazios. Todo mundo acha que tem propriedade para fazer comentários sobre qualquer tipo de assunto, desde futebol a política. Depois, está o problema daqueles que não contentes em não gostar do catolicismo, fazer o “favor” de desrespeitá-lo. Reparem bem que não se ouvem comentários sobre a disciplina do exército brasileiro ou sobre a Charia (lei) muçulmana. Quanto aos padres, por outro lado, há pessoas que ao que parece se alegram em crucificá-los nos nossos dias. Mas, pensando bem, alegrai-vos, padres, até nisso vocês estão seguindo os passos daquele que vos inspirou em primeiro lugar!
Vinícius Farias da Silva. Seminarista da Arquidiocese de Brasília, atualmente cursa o segundo ano de teologia em vistas do sacerdócio.
FONTE: https://pt.zenit.org
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
AFINAL QUANDO O USO DA CONTRACEPÇÃO É ADMISSÍVEL?
Sabemos
o que o Papa Franscisco disse na entrevista no seu retorno a visita
ao México e todo o circo que a imprensa tem causado diante do tema:
“O
grande
Paulo VI – recorda Francisco – em uma situação difícil na
África, permitiu que as freiras usassem os contraceptivos para os
casos de violência. Não se deve confundir o mal a ser evitado com a
gestação e o aborto”. Também porque “o aborto não é um
problema teológico, mas um problema humano. Não se deve confundir o
mal de evitar a gravidez com o aborto”. Também porque “o aborto
não é um problema teológico, mas um problema humano. É um
problema médico: mata-se uma pessoa para salvar outra no melhor dos
casos. É contra o juramento de Hipócrates que todos os médicos têm
de fazer. É mal em si mesmo, mas não é um mal religioso, não. É
humano. Em vez disso, evitar a gravidez não é um mal absoluto, em
certos casos”.
Vamos
nos lembrar que esse não é o primeiro Papa a falar sobre o
preservativo. Já o Papa Bento XVI havia abordado o tema em uma
entrevista, também, por sua vez, distorcida pela comunicação
social anti-católica:
O
Papa Francisco
“afirmou que a contracepção artificial é um mal e em nada foi
contrário ao Catecismo da Igreja Católica que diz ser
intrinsecamente má
qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante
a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências
naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a
procriação (CIC2370).”
O
que ele disse é que “evitar a gravidez não é um mal absoluto”,
disse isso comparando a contracepção com o aborto (que é um mal
absoluto). A contracepção seria ainda um mal... digamos um mal
menor, principalmente no caso do Zika vírus. O uso do preservativo é
admissível, porque se trata de uma epidemia, porém vale a pena
ressaltar que:
“Segundo
especialistas, a transmissão sexual do vírus Zika ainda não foi
comprovada cientificamente, mas também não pode ser descartada.”
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/01/risco-de-transmissao-sexual-de-zika-faz-gra-bretanha-recomendar-camisinha-para-homens-que-foram-ao-brasil.html
E
Mesmo
na comunidade científica ainda há cépticos sobre a correlação
entre o vírus e a microcefalia, por falta de estudos.
Pouco
se conhece sobre a doutrina da Igreja, por isso há tanta confusão
sobre esses assuntos, gerando muita polémica. Isto está no cerne
das discussões. Vejamos então o que a Igreja ensina, como Mãe que
é, aos seus fieis, sobre como deve ser vivida a sexualidade:
"À
linguagem nativa que exprime a recíproca doação total dos cônjuges
a contracepção impõe uma linguagem objectivamente contraditória, a
do não se doar ao outro. Deriva daqui não somente a recusa positiva
de abertura à vida, mas também uma falsificação da verdade
interior do amor conjugal, chamado a doar-se na totalidade pessoal."
Esta diferença antropológica e moral entre a contracepção e o
recurso aos ritmos periódicos "envolve duas concepções da
pessoa e da sexualidade humana irredutíveis entre si".
Catecismo da Igreja Católica. (CIC2370)
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
ONU RECOMENDA ABORTO NOS PAÍSES AFECTADOS PELO ZIKA - EUGENIA!
Esta semana a agência da ONU
recomendou a descriminalização do aborto nos casos de microcefalia
nos países mais afectados pelo ZIKA virus, vejamos o que realmente
está por trás desse apelo:
"Não é novidade o pedido que alguns juristas e acadêmicos de Direito farão à Suprema Corte brasileira, requerendo um suposto "direito ao aborto" de crianças com microcefalia. Na década de 1930, na Alemanha, o programa nazista de extermínio de crianças deficientes (a Kinder-Euthanasie) incluía, entre as doenças genéticas passíveis de execução, a síndrome de Down, a paralisia, a hidrocefalia e, também, a microcefalia [1]. A princípio, o objetivo era matar as crianças com até 3 anos de idade. Mais tarde, o plano de Adolf Hitler se estenderia também aos adultos.
Certamente, Ana Carolina Cáceres – a brasileira de 24 anos, portadora de microcefalia, que se graduou recentemente em jornalismo – não teria sobrevivido ao regime nazista. Como ela, tampouco teriam passado as irmãs Ana Victória (16) e Maria Luiza (14), também portadoras da síndrome. Fossem concebidas hoje, porém, a vida dessas mulheres estaria em risco muito mais cedo: elas poderiam ser descartadas antes mesmo de nascerem.
Fora ou dentro do útero, no entanto, meses ou anos depois da concepção, são realidades meramente circunstanciais. Nada disso muda a essência do que os promotores do aborto, aproveitando-se do pânico gerado em torno do zika vírus, pretendem advogar junto ao Supremo Tribunal Federal: a ideia de que alguns seres humanos são mais dignos de viver do que outros.
O nome disso é eugenia.
Dar um novo nome às coisas não altera a sua substância, pelo que "saúde reprodutiva", "direito de escolha" e "controle de natalidade" não passam de eufemismos construídos para disfarçar a realidade.
Nem pode mudá-la o fato de algumas pessoas aparentemente esclarecidas estarem do lado de lá. Na verdade, quando o eugenismo surgiu na Europa, ainda no final do século XIX, muitos nomes de peso também deram sua aprovação à ideia, chegando a defendê-la pública e notoriamente: Winston Churchill, H. G. Wells e Bernard Shaw são apenas alguns exemplos. Francis Galton, um homem inteligente, responsável por cunhar a expressão "eugenia", chegou a falar dela como uma espécie de "nova religião". O entusiasmo pela coisa só pareceu cessar após a Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas viram a que tudo isso realmente levava: pilhas de cadáveres em campos de concentração.
A essência dessa forma de pensamento, todavia, não está por trás só do pedido do aborto de microcefálicos, mas de todo o movimento pela legalização do aborto.
Como se sabe, o problema de quem defende essa prática não é com esta ou aquela má formação específica. Seja sob um viés feminista – como o defendido pela antropóloga Débora Diniz –, seja sob uma ótica aparentemente social – como a colocada pelo dr. Drauzio Varella –, o que se pretende é oaborto total, sem exceções. Por isso, perderíamos muito de nosso tempo tentando defender apenas os fetos microcefálicos quando, na verdade, quem está ameaçado em seu direito à vida são todos os nascituros, portadores ou não de microcefalia, sem ou com deficiência.
São eles as verdadeiras vítimas da eugenia moderna. Tratados como "cidadãos de segunda categoria" simplesmente porque não podem ser vistos – ainda que a ciência confirme a sua humanidade, desde a concepção. Considerados "indignos de viver" porque submetidos a uma liberdade total e irrestrita por parte da mulher – que deixa de arbitrar sobre o seu corpo para ter poder de vida e de morte sobre o próprio filho. Ameaçados, enfim, pelos próprios juristas e acadêmicos de Direito, que, passando por cima da lei natural e das leis de nosso país [2], deixam sem proteção a vida dos membros mais indefesos da nossa sociedade.
Tudo isso, aliado ao silêncio cúmplice de todos, forma um cenário que a humanidade já conheceu antes: tragicamente, os nossos tempos não são diferentes dos que precederam a barbárie nazista.
Mas, assim como algumas vozes se levantaram corajosamente contra a eugenia, antes mesmo que ela fosse aplicada na prática, também nós precisamos dar o nosso "grito" de alerta, antes que seja muito tarde. Como escreve o escritor britânico G. K. Chesterton, em seu livro profético Eugenics and other evils ("Eugenia e outros males"),
"A coisa mais sábia do mundo é gritar antes de ser ferido. Não é bom gritar depois, especialmente depois que você foi ferido de morte. As pessoas falam sobre a impaciência das multidões, mas os bons historiadores sabem que maior parte das tiranias só foi possível porque os homens reagiram muito tarde. Geralmente, é essencial resistir a uma tirania antes que ela exista. E não é resposta alguma dizer, com um vago otimismo, que a conspiração apenas está no ar. Um golpe vindo de um machado só pode ser evitado enquanto ainda está no ar." [3]
Por enquanto, parece que a conspiração está apenas no ar. Mas, de notícia em notícia, já é possível antever o golpe de machado que se aproxima de nossas cabeças. O alvo, leitor, são homens e são mulheres, são pobres e são ricos, são brancos e são negros – em suma, são os nossos filhos. Se não lutarmos por eles, ninguém o fará por nós.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Assine a petição do CitizenGo! pedindo à OMS que não instrumentalize a epidemia do zika vírus para promover o aborto.
Referências
- LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 2000, p. 52.
- Cf., v.g., Constituição Federal, art. 5.º, caput; Código Civil (Lei 10.406/02), art. 2.º etc.
- CHESTERTON, Gilbert K. Eugenics and Other Evils. London: Cassell and Company, 1922, p. 3."
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Reflexões sobre a Ideologia de Gênero
A
“revolucionária” ideologia de gênero vem tentando se implantar
no Brasil por meio de grandes esforços do poder reinante ou
dominante. Diante desta situação, incumbe-nos, enquanto brasileiros
e cristãos, saber o que é essa ideologia muito comentada, mas pouco
definida, quais são suas raízes, como ela se impõe, que objetivos
tem e qual deve ser a nossa posição frente a ela.
É
ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós
nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além
dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser
construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está
inserido. Desse modo, em última análise, não existiria uma mulher
ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria
sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído
socialmente homem ou mulher.
Nada
de novo debaixo do sol. Simone de Beauvoir, filósofa
existencialista, já dizia exatamente isso. Não se nasce mulher, mas
você se torna mulher; não se nasce homem, mas você se torna homem.
Em suma, nada dependeria da natureza, mas, sim, de uma construção
sociocultural capaz de levar a relações igualitárias entre dois
seres humanos, naturalmente, diferentes quanto à sexualidade.
Uma
nota da Conferência Episcopal do Peru, emitida em abril de 1998, com
o título La ideologia de género: sus peligros y alcances aponta a
raiz marxista e ateia desse sistema ideológico e assegura que
segundo a ideologia de gênero, não é a natureza, mas a sociedade
quem vai impondo ao homem ou à mulher certos comportamentos típicos.
Desse modo, se a menina prefere brincar de casinha ou aconchegar a
boneca isso não se deveria ao seu instinto natural à maternidade,
mas tão-somente a uma convenção social dominadora. Se as mulheres
se casam com homens e não com outras mulheres, isso nada teria de
natural, mas dever-se-ia apenas a uma “tradição social” das
classes dominantes.
Mais:
se o homem brinca de bola e sente necessidade de trabalhar fora de
casa a fim de melhor sustentar a família ao passo que as mulheres
preferem, via de regra, passar mais tempo em casa junto aos filhos
(cf. Sueli C. Uliano. Por um novo feminismo. São Paulo: Quadrante,
1995, p. 51-53), não estariam, de modo algum, atendendo a seus
anseios inatos, mas apenas se acomodando ao desejo elitista de uma
tradição opressora que deve ser rompida a qualquer momento. Sim,
pois segundo os defensores da ideologia de gênero essas construções
sociais opressivas só serviram até hoje para minimizar a mulher
frente aos homens. Seria necessário conscientizá-las de que a sua
vida de casa, cozinha e criança não tem mais sentido, essa
conscientização levaria a mulher a entender o quanto é explorada e
enganada pelo modelo patriarcal de sociedade em que vivemos.
Uma
vez liberta, ela poderia optar por reconstruir-se do modo que bem
entender. Faria a sua escolha sexual com todas as consequências dela
derivadas, ou seja, poderia também optar por levar adiante uma
gravidez ou praticar o aborto que, na doutrina de gênero, não seria
crime algum, mas, ao contrário um direito que caberia à mãe.
Embora, para não chocar a sociedade com o homicídio, prefira-se um
termo manipulado por meio de engenharia verbal como é, por exemplo,
“interrupção voluntária da gravidez”.
Isso
posto, já devemos – coma Carta aos Bispos da Igreja Católica
sobre a colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e na Sociedade,
da Congregação para a Doutrina da Fé, de 31 de maio de 2004 –
aproveitar fazer, rapidamente, a refutação de duas correntes
contemporâneas que propalam pensamentos absurdos a respeito da
mulher: a subordinacionista, que a vê qual escrava, submissa ao
homem em nível familiar e social, e a de gênero, desejosa de apagar
as diferenças naturais entre homem e mulher. Afinal, a Escritura
apresenta a mulher como ezer (auxiliar ou companheira) do homem por
analogia com Deus que é ezer do homem (cf. Gn 2,4-25; Êx 18,4; Sl
10,35). Há entre mulher e homem complementaridade, apesar das
diferenças fisiológicas e psicológicas (não meramente culturais).
Iguais quanto à sua dignidade – um não é mais que o outro –
não se identificam em suas características peculiares, pois Deus
criou homem e mulher, não um andrógino polimorfo ou capaz de ter
várias formas.
Outro
ponto a ser refutado é o que defende a liberdade de construção
sexual. Com efeito, assim como toda ideologia, a de gênero –
considerada pelo estudioso argentino Jorge Scala, em sua obra
Ideologia de gênero: neototalitarismo e morte da família (São
Paulo: Katechesis, 2011), a mais radical já conhecida na história,
pois se aplicada destruiria o ser humano em sua integralidade e, por
conseguinte, a sociedade, cuja célula-mãe é a família – é
também mentirosa. Ela oferece às pessoas a ilusão de que serão
plenamente livres em matéria sexual, contudo, uma vez que essas
pessoas tenham tomado a mentira por verdade, são aqueles que detêm
o poder real que escolherão, a seu beneplácito, o modo como o povo
deverá – padronizadamente – exercer a sua sexualidade sob o
olhar forte do Estado que tutelaria para que cada um fizesse o que
bem entendesse. Dentro da cartilha estatal, é óbvio. Só não se
toleraria, por enquanto, as relações sexuais não consentidas,
todas as demais seriam válidas e deveriam ser toleradas pelo Governo
e pela sociedade em geral como lícitas.
Ora,
uma ideologia tão antinatural e artificial dessas não consegue se
impor do dia para a noite, nem recebe tão fácil acolhida da
população, mas, ao contrário, provoca resistências entre as
pessoas sensatas em geral. Daí os arautos da ideologia de gênero
usarem, de modo conjunto, importantes estratégias para dominarem o
grande número de hesitantes.
Sim,
é imprescindível contar com os meios de propaganda de grande
alcance tais como o rádio, o jornal, as revistas, a TV, a internet,
pois são veículos de comunicação unidirecionais, ou seja, não
permitem que o receptor da informação dialogue com o emissor
(sabemos como são manipuladas as opiniões que se enviam para os
sites) para, no caso de gênero, por exemplo, contestá-lo das
inverdades que diz. Apenas se aceita muito passivamente aquilo que
lhe é transmitido.
Outro
meio formidável é o sistema educacional formal ou a escola. Por
meio dela – em um processo educacional inverso ao que sempre se
conheceu, no qual o papel primordial da educação ética e religiosa
cabe aos pais – se veiculariam os métodos impostos pelo Estado a
ditarem as normas de vida social aos alunos e estes deveriam, em
casa, ensinar seus pais ou responsáveis doutrinando-os a fim de que
também aceitem as novas concepções totalitárias, incluindo como
carro-chefe a revolucionária ideologia de gênero, mãe de todas os
outros “libertinismos” sexuais.
Tudo
isso, porém, depende, para ser imposto, de uma ardilosa máquina de
propaganda que age especialmente, a partir de três etapas
fundamentais: primeiro, usar, desde logo, uma palavra comum, mas com
sentido totalmente diferente. Desse modo, falar-se-ia em sexo e
gênero, alternadamente, como se fossem meros sinônimos até que as
pessoas, de maneira imperceptível, começassem a usá-las sem se
questionar, ao menos em alguns ambientes específicos como as
escolas, redações de jornais, rádios, igrejas etc.
Segundo,
bombardear a opinião pública pelos meios de educação formais
(escola) e informais (rádios, TVs, jornais, revistas, internet)
valendo-se da palavra antiga com sentido novo ou transfigurado pela
cirurgia ideológica nela realizada. Aqui já se substituiria o
vocábulo sexo por gênero e se lhe acrescentaria os sentidos
revolucionários de “sexo socialmente construído” em oposição
ao sexo biologicamente dado pela natureza, falar-se-ia em “tipos de
casamentos” e não mais no matrimônio monogâmico e estável com
bases religiosas, etc.
Observa-se,
então, que as pessoas aceitariam o termo clássico (sexo) com um
conteúdo novo (gênero). Estaria imposta, por uma forte
“heterossugestão”, um novo modelo de pensar: simples homens e
mulheres, sem qualquer pressuposto filosófico, sociológico ou
antropológico, estaria falando, de modo falacioso, que gênero é a
“autoconstrução livre da própria sexualidade”. A opinião
pública estaria dominada para acatar todo tipo de “vida sexual”
contrária à natureza: poligamia, prostituição, orgias, pedofilia,
pornografia, zoofilia (relação sexual com animais), necrofilia
(encenação de ato sexual com defuntos) etc.
Tudo
isso graças ao substrato de uma nova linguagem de características
obscuras, próprias para causar confusão na mente de quem com elas
toma contato, evitando, assim, que o ouvinte ou o leitor consiga
rebater a mensagem implícita naqueles termos que parecendo
esdrúxulos têm uma finalidade muito específica na veiculação da
ideologia de gênero. Alguns deles são “sexismo”, sexualidade
polimórfica, homofobia, “androcentrismo”, tipos de família,
“parentalidade”, heterossexualidade obrigatória, etc. e quem
toma contato, sem pressupostos, aceita às escuras tais termos e os
repete trabalhando, ingenuamente, para a ideologia de gênero e, por
consequência, contra a vida, a família e os alicerces da própria
sociedade.
Pergunta-se,
então, se diante de uma ideologia “revolucionária” e perversa,
como se revela ser a ideologia de gênero, cabe aos católicos a
coragem ou o medo? – Scala responde com uma citação de Jean
Gitton, filósofo francês, que diz o seguinte: “Em todos os
séculos, diz-se que a Igreja vai cair, e ela se mantém. É
incrível. Em cada século diz-se que não é como os séculos
precedentes, que desta vez é definitiva e que a Igreja não se
salvará. E sempre se salva. Veja, ainda no século XX. O comunismo a
enterraria. Todo mundo dizia isso. Eu também esperava o pior, na
Europa e em todos os lugares. O que aconteceu? A Igreja enterrou o
comunismo. E já veremos que a mesma coisa vai acontecer com o
liberalismo que se acredita eterno. Aos olhos humanos nenhuma pessoa
sensata poria um centavo nas ações do ‘Catolicismo’. Hoje em
dia se diz: o consumismo e o sexo varrerão a Igreja. Bom, eu não
acredito. Uma vez mais, acontecerá algo, não sei o quê. Repito: é
incrível. Toda esta história é inverossímil” (Mi testamento
filosófico apud Scala, p. 195).
Certo
é que não basta só confiar nessa força sobrenatural da Igreja, é
preciso fazer a nossa parte conhecendo e apresentando ao público a
verdadeira face da ideologia de gênero escondida atrás de uma
fantasia carnavalesca. Olha-nos sorridente para conquistar-nos. Uma
vez conseguido seu intento, fecha sua carranca e ataca-nos
impiedosamente para destruir a vida, a família e os valores sociais
alicerçados na lei natural moral que ensina a fazer o bem e evitar o
mal. Todavia, quem se julgar livre para defender os valores naturais
e cristãos pode ser duramente perseguido, moral e fisicamente, como
já se faz, ainda que um tanto veladamente, em não poucos países. A
classificação de “retrógrado” e outros nomes é muito comum na
verbalização e condenação daqueles que conseguem refletir sobre
esses fatos.
Em
tempos como os nossos, ter coragem para defender os princípios
cristãos libertadores – é para a liberdade que Cristo nos
libertou, Gl 5,1 – é expor-se ao próprio martírio de sangue, mas
as palavras do Senhor Jesus nos encorajam: No mundo tereis
tribulações, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo (cf. Jo
15,18-27).
Fazemos
votos para que todas as forças vivas da nação se unam em defesa da
vida e da família e, consequentemente, da sociedade em geral a fim
de que possamos, diante de Deus, deixar ao nosso povo em geral,
especialmente às nossas crianças, adolescentes e jovens, a certeza
de que não fomos omissos e lutamos, dentro da lei e da ordem, para
que uma ideologia que pretende ser “revolucionária” como a de
gênero não os prejudicasse. Nem hoje, nem amanhã.
Orani
João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo
Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.
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