Credo in Unam, Sanctam, Cathólicam et Apostólicam Ecclésiam

"Na presença dos Anjos ei de cantar-Vos e adorar-Vos no vosso santuário."
(Salmo 137, 1)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Papa convida Igreja inteira a rezar pela “vida nascente”



No próximo dia 27 de novembro

CIDADE DO VATICANO, domingo, 14 de novembro de 2010 (ZENIT.org) - No próximo sábado, 27 de novembro, Bento XVI presidirá, na Basílica de São Pedro, as Primeiras Vésperas do Advento e uma vigília de oração pela vida nascente.

Assim anunciou o próprio Papa hoje, depois da oração do Ângelus, durante as saudações aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Esta iniciativa, explicou o Pontífice, "está em comum com as igrejas particulares do mundo inteiro" e seu desenvolvimento foi indicado "também nas paróquias, comunidades religiosas, associações e movimentos".

"O tempo de preparação para o Santo Natal é um momento propício para invocar a proteção divina sobre todo ser humano chamado à existência, também como agradecimento a Deus pelo dom da vida, recebido dos nossos pais", afirmou.

Esta convocação já foi seguida por várias dioceses, entre elas a arquidiocese de Sevilha. Seu titular, Dom Juan José Asenjo, convocou por carta todos os sacerdotes, consagrados, delegados diocesanos, presidentes de movimentos e grupos apostólicos de sua diocese.

Em sua carta, informa que o cardeal Antonio Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e Dom Ennio Antonelli, presidente do Conselho Pontifício para a Família, transmitiram à Conferência Episcopal Espanhola o desejo do Papa de que se realizem atos similares em todas as dioceses.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Deus "deu corda" na criação e a deixou agir por si própria?



Há pessoas que acreditam que Deus criou o mundo, porém pensam que Ele foi responsável apenas pelo acto de criar, o que quero dizer com isso? Deus teria apenas dado corda ao mundo, como se faz a um relógio de corda e deixado ele funcionar sozinho. Depois de criar todas as coisas ele teria deixado sua criação agir por si mesma.

Está ideia está equivocada porque Deus está envolvido em sua criação! Se engana quem pensa que Ele descansou no 7º dia, nós cristãos acreditamos na providência divina que nada mais é do que a intervenção directa de Deus em todo universo. Ele não só age na criação como também a mantém, a sustenta.

Jesus disse:

“Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.” (Luc.12,6-7)

e ainda:

“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?
Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.
Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.
Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?” (Mt 6, 26-30)

Atrevo-me a afirmar que Deus continua a criar todos os dias, quando uma criança nasce, quando um pássaro canta e até quando o coração bate. É Deus quem sustenta todas as coisas. Deus somente não intervém em uma coisa em toda a criação, no livre arbítrio humano.

Sonho de Dom Bosco



"E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mt 16,18)


Seu sonho profético central, ocorrido em 1862 (três anos antes do Concílio da Igreja Católica conhecido como Vaticano I), está transcrito abaixo: (sobre São João Bosco, visite na seção dos artigos diversos do site a sua Biografia)

"Imagine-se no meio de uma enseada, ou melhor, sobre uma rocha isolada, da qual não se divisa nenhum ponto de terra firme, exceto sob os seus pés. Na extensão desse vasto mar, você divisa uma frota incontável de navios de guerra dispostos para a batalha. As proas desse navios são pontiagudas e perfurantes, de forma a perfurar e destroçar completamente tudo contra o que se lançarem. Os navios são armados com canhões, muitos rifles, materiais incendiários e outras armas de fogo de vários tipos, e avançam contra um navio bem maior e mais alto do que o deles; eles tentam atingi-lo com suas proas ou queimá-lo, causar-lhe mal de todas as maneiras possíveis.

"Escoltando o majestoso navio plenamente equipado, há um sem-número de barcos menores, que recebem comandos daquele por sinais, reposicionando-se para defenderem-se dos ataques da frota inimiga. Bem no meio dessa imensa extensão marítima, duas poderosas colunas elevam-se, altas, a pequena distância uma da outra. No topo de uma, encontra-se a estátua da Imaculada Virgem Maria, de cujos pés pende um enorme placa com a inscrição: Auxilium Christianorum - Auxílio dos Cristãos ; sobre a outra, que é ainda mais alta e maior, há uma enorme Hóstia, de tamanho proporcional ao da coluna; e sob ela, outra placa, com as palavras: Salus Credentium - Salvação dos Fiéis.

"O comandante supremo do navio grande é o Sumo Pontífice. Observando a fúria dos inimigos e malfeitores dentre os quais os fiéis se encontram, ele convoca os capitães dos pequenos barcos e ordena um conselho, para juntos decidirem o que fazer.

"Todos os capitães vêm a bordo e se reúnem em torno do Papa. Eles iniciam uma conferência, mas nesse meio tempo o vento e as ondas rompem numa grande tempestade, e eles têm de retornar às suas próprias embarcações para salvá-las. Vem, então, uma pequena calmaria; pela segunda vez, o Papa reúne seus capitães em torno de si, enquanto o navio-mãe prossegue em seu curso. Mas a terrível tempestade retorna. O Papa comanda a embarcação e envia todas as suas energias para direcionar seu navio às colunas, de cujos topos pendem muitas âncoras e fortes ganchos ligados a correntes.

"Todas as embarcações inimigas mobilizam-se para atacá-lo; elas tentam detê-lo e afundá-lo, de todas as maneiras ao seu alcance: algumas com livros e escritos inflamáveis, de que dispõem em abundância; outras com armas de fogo, com rifles e outras armas. A batalha recrudesce crescentemente. O inimigo ataca de proa violentamente, mas seus esforços provam não ser eficazes. Eles arremetem em vão, e perdem todo o seu esforço e a sua munição; o grande navio segue inabalável e suavemente seu rumo. Às vezes acontece de ser atingido por formidáveis tiros, ele apresentar grandes brechas laterais; Mas assim que o dano acontece, uma brisa gentil sopra das duas colunas, fechando as fissuras e restaurando os estragos imediatamente.

"Entrementes, as armas de fogo dos assaltantes são disparadas; rifles e outras armas, bem como as proas se quebram; muitos navios são atingidos e afundam no oceano. Então, os inimigos enfurecidos passam a lutar corpo-a-corpo, com os punhos, tiros à queima-roupa, blasfêmias e maldições. "De súbito, o Papa cai gravemente ferido. Imediatamente, os que estão com ele o ajudam e o levantam. Uma segunda vez, o Papa é atingido; ele cai de novo e morre. Um grito de júbilo e vitória irrompe dentre os inimigos; de seus navios eleva-se uma indizível zombaria.

"Mas assim que o Pontífice cai, um outro assume o seu lugar. Os pilotos, tendo-se reunido, elegeram outro tão prontamente que, com a notícia da morte do anterior já se apresentam as boas novas da eleição do sucessor. Os adversários começam a perder a coragem.

"O novo Papa, pondo o inimigo em fuga e superando todos os obstáculos, guia o navio diretamente às duas colunas e consegue descansar entre elas. Ele ancora o seu navio à coluna encimada pela Hóstia, prendendo uma corrente leve que sai da proa a uma âncora presa à coluna; uma outra corrente leve presa à popa é atracada a uma âncora que pende da coluna sobre a qual está a Virgem Maria.

"Neste ponto, inicia-se uma grande convulsão . Todos os navios que estiveram até então em luta contra o navio do Papa são dispersados; eles se afastam em confusão, colidem e quebram-se em pedaços, uns contra os outros. Alguns afundam e tentam afundar os outros. Muitas das pequenas embarcações que lutaram galantemente pelo Papa correm a prender-se às colunas. Outras, que se haviam mantido à distância, por medo da batalha, observam cautelosamente de longe; assim que os escombros dos navios afundados são dispersados pelos redemoinhos do mar, elas se aventuram a rumar para as duas colunas, e alcançando-as, fazem-se prender aos ganchos que delas pendem, para se porem a salvo, à sombra do navio principal, onde está o Papa. Reina sobre o mar uma grande calma."

(Adaptação do livro "Quarenta Sonhos de S. João Bosco" , compilado e editado por Pe. J. Bachiarello, S.D.B.)

Disponivel nos sites:
http://www.sinaisdostempos.org/sinais/dom_bosco.php
http://apostoladosaoclementeromano.blogspot.com/search/label/Escatol%C3%B3gia

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As Cruzadas


Muito se exagera quando o assunto é sobre a Inquisição e as Cruzadas. O problema é que a tendência é analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um facto fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Há sempre comentários que surgem para tentar atacar, denegrir e destruir a Igreja Católica.

Na Idade Média todas as pessoas consideravam as cruzadas como justas e boas e até mesmo os muçulmanos respeitavam os ideais das Cruzadas e a nobreza dos homens que nelas lutavam.

Quando surgiu então a actual visão de que as Cruzadas teriam sido algo terrível? Essa ideia nasceu do Iluminismo do século XVIII. Os filósofos iluministas acreditavam que as Cruzadas foram uma migração de bárbaros devida ao fanatismo, à ganância e à luxúria. A partir desse ponto da história essa ideia sobre as cruzadas apareceu e desapareceu muitas vezes ao longo do tempo. No Romantismo as cruzadas foram consideradas como um ideal nobre e foi assim ate o início do século XX. Porém, depois da Segunda Guerra por causa do nazismo os historiadores começaram a abominar qualquer guerra de fundo ideológico, seja qual for a ideologia em questão.

Mas afinal, qual é a verdadeira história das Cruzadas? Como o tema é muito específico cito textos do Prof. José Antônio de Faria (Professor de História e Geografia).

"ORIGEM DAS CRUZADAS

As guerras entre os países de religião ocidental e os ocupantes muçulmanos na Terra Santa, principalmente em decorrência da ocupação dos lugares de veneração dos cristãos remontam ao século VII com a ocupação dos maometanos e, mais tarde, os turcos (século XI) que dominaram a região. A princípio oito batalhas, denominadas cruzadas, estenderam-se de 1095 a 1270, se bem que após esse período, durante muito tempo foram outras organizadas, porém, com características diferentes das Cruzadas primitivas.

Os cristãos na Palestina sempre haviam sido tratados com hospitalidade pelos muçulmanos. Os árabes também consideravam Jerusalém uma cidade respeitável e Jesus, segundo eles, simplesmente um dos profetas que haviam precedido Maomé. Quando Al-Hakim, o califa louco do Cairo, destruiu a igreja do Santo Sepulcro (1010), os próprios maometanos contribuíram substancialmente para a sua restauração.

Entretanto, com o avanço dos turcos modificou-se completamente a situação. Em 1070 os turcos haviam tomado Jerusalém aos árabes e começaram então as perseguições e profanações que os peregrinos narravam com cores vivas no Ocidente.

Nessa época, um piedoso peregrino chamado Pedro d'Amiens, ao retornar da Terra Santa, foi ter com o Papa Urbano II a fim de descrever-lhe os vexames dos cristãos na Palestina e profanação dos lugares santos pelos infiéis. Por este motivo, o Papa convocou o concílio de Clermont (1095), ao qual compareceram muitos príncipes do Ocidente. O Ocidente em peso pôs-se em movimento para libertar do poder dos turcos a Terra Santa.

Ocorre que antes da definição e concretização das metas, Pedro, o Eremita e um cavaleiro intitulado Gauthier Sans-Avoir (Valter Sem Tostão), anteciparam-se aos planos do Papa Urbano II e partiram para o Oriente com uma massa de 17.000 pessoas ignorantes, pobremente equipadas e sem nenhuma experiência militar. Foi um movimento paralelo e independente que partiu em direcção à Nicéia sem o prévio consentimento do Papa, sob a denominação "cruzada do povo". Após uma travessia caracterizada por roubos, violências e epidemias, foram completamente trucidados pelos turcos quando atacaram aquela cidade. Por isto, não considera-se este movimento como a primeira cruzada, que teve seu início em 1096, portanto, no ano seguinte.

1ª. Cruzada

A primeira das cruzadas partiu em 1096 e teve seu término em 1099. Os maiores nomes da cristandade feudal nela figuravam, predominando franceses e normandos. Sob o comando de Godofredo de Buillon seguiram para Constantinopla. Os muçulmanos achavam-se divididos e os cruzados tomaram facilmente Antioquia. Durante um período de três anos, após renhidas batalhas, no dia 15 de julho de 1099, numa Sexta-Feira Santa, os cruzados tomaram Jerusalém. Com a finalidade de defesa foram criadas ordens militares-religiosas, como a dos Hospitalários ou Cavaleiros de São João, a dos Templários e a dos Cavaleiros Teutônicos, tendo o novo reino subsistido por quase cem anos.

2ª. Cruzada

Saladino, um aventureiro curdo, tornou-se sultão do Egipto e reunindo os esforços do Egipto aos de Bagdá, fez a pregação de uma guerra santa muçulmana contra os cristãos. A contra-cruzada de Saladino atingiu seu objectivo precisamente em 1187, quando Jerusalém foi retomada. Esse fato suscitou a terceira cruzada, denominada "Cruzada dos Reis".

3ª. Cruzada ("Cruzada dos Reis")

A Cruzada dos Reis foi chefiada por Frederico I (Frederico Barba Ruiva), imperador do Sacro Império Romano Germânico, Felipe Augusto, rei da França e Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, os quais não obtiveram êxito.

Esta terceira cruzada, contudo, marcou uma importante transformação nas relações entre cristãos e muçulmanos. Ricardo Coração de Leão firmou com Saladino um tratado, mediante o qual este reconhecia aos cristãos o domínio de uma faixa costeira na Síria e permitia o livre acesso dos peregrinos a Jerusalém.

4ª. Cruzada ("Cruzada Veneziana")

A quarta cruzada foi preparada por Inocêncio III, o grande Papa da Idade Média. Os franceses, principalmente, acudiram ao apelo do Pontífice. Mas os planos do Papa, de atacar o Egipto e depois a Palestina, foram completamente deturpados pela influência de Veneza. A rica cidade italiana exigiu 85.000 marcos de prata para transportar os cruzados. Como não se conseguiu a quantia pedida, foi proposto um acordo pelos venezianos, no qual os cruzados os ajudariam a tomar a cidade de Zara (hoje Zadar - Iuguslávia), no Adriático, cuja prosperidade preocupava seriamente Veneza. Contra a opinião do Papa, o acordo foi feito e Zara saqueada. Em seguida os venezianos sugeriram um ataque a Constantinopla, pois não lhes interessava uma guerra contra os muçulmanos com os quais comerciavam intensamente.

Aproveitando-se das lutas internas pelo trono bizantino, os cruzados, apesar da oposição de Inocêncio III, dirigiram-se com uma frota de 480 navios para Constantinopla. A quarta cruzada transformou-se, assim, em intrigas e rivalidades entre os príncipes cristãos, fazendo com que os santos lugares caíssem no poder dos infiéis. Além disto, Constantinopla foi saqueada totalmente, parcialmente destruída e pilhada.

5ª. e 6ª. Cruzadas

A quinta cruzada dirigida por André II da Hungria, não teve grande importância histórica. A sexta, no entanto, comandada por Frederico II, alcançou a Palestina. Por ter conhecimentos em ciência e filosofia árabes, acabou entendendo-se amistosamente com o sultão Al-Kamil, ocasião em que assinaram um tratado mediante o qual o Islão cedia aos cristãos Acre, Jafa, Sidon, Nazaré, Belém e toda a Jerusalém.

7ª e 8ª Cruzadas

A sétima e oitava cruzadas foram empreendidas por Luís IX (São Luís), rei da França. Na sétima cruzada foi ocupada a cidade de Damieta, mas logo em seguida foi feito prisioneiro o bom rei francês, tendo sido obrigado a pagar pesado resgate. Em 1270 empreendeu uma expedição a Túnis (8ª. Cruzada), onde faleceu, vítima de uma epidemia.

OS MITOS DAS CRUZADAS

Mito nº 1: As Cruzadas foram guerras contra um pacífico mundo muçulmano que nada fizera contra o Ocidente.

Não há nada de mais falso. Desde os tempos de Maomé, os muçulmanos lançaram-se à conquista do mundo cristão. E fizeram um óptimo trabalho: após poucos séculos de incessantes conquistas, os exércitos muçulmanos tomaram todo o norte da África, o Oriente Médio, a Ásia Menor e a maior parte da Península Ibérica. Em outras palavras: ao findar o século XI, as forças islâmicas já haviam capturado dois terços do mundo cristão. A Palestina, terra de Jesus Cristo; o Egipto, berço do monaquismo cristão; a Ásia Menor, onde São Paulo estabeleceu as primeiras comunidades cristãs. Não conquistaram a periferia da Cristandade, mas o seu núcleo. E os impérios muçulmanos não pararam por aí: continuaram pressionando pelo leste em direcção a Constantinopla, até que finalmente a tomaram e invadiram a própria Europa.

Se uma agressão não provocada existiu, foi a muçulmana. Chegou-se a um ponto em que só restava à Cristandade defender-se ou simplesmente sucumbir à conquista muçulmana. Em outras palavras, as Cruzadas foram desde o início uma guerra defensiva. Toda a história das Cruzadas do Ocidente foi a história de uma resposta à agressão muçulmana.

Mito nº 2: Os Cruzados traziam o símbolo da Cruz, mas o que realmente queriam eram as pilhagens e as terras. As intenções piedosas não passavam de máscara para encobrir a ganância e cobiça.

Empreender uma Cruzada era uma operação extremamente cara. Os Senhores tiveram que hipotecar suas terras para angariar os fundos necessários. Além do mais, não estavam interessados em reinos no além-mar. Como os soldados de hoje, o Cruzado medieval orgulhava se de estar cumprindo o seu dever, mas queria voltar para casa. Após o espectacular sucesso da Primeira Cruzada, com Jerusalém e grande parte da Palestina em seu poder, quase todos os Cruzados voltaram. Somente um pequeno grupo ficou para consolidar e governar os territórios recém-conquistados. Foram raras as pilhagens. Embora de fato sonhassem com as grandes riquezas das cidades do Oriente, praticamente nenhum Cruzado conseguiu recuperar os seus gastos. Mas não foram nem o dinheiro nem as terras o principal motivo que os levaram às Cruzadas: o que queriam era fazer penitência pelos seus pecados e merecer a própria salvação fazendo boas obras em terras distantes.

Mito nº 3: Quando os Cruzados tomaram Jerusalém em 1099, massacraram todos os homens, mulheres e crianças, enchendo as ruas de sangue até os tornozelos.

É certamente verdade que muita gente morreu em Jerusalém após a tomada da cidade pelos Cruzados. Mas o fato deve ser analisado no seu contexto histórico.

O costume vigente em todas as civilizações pré-modernas, tanto na Europa quanto na Ásia, era que se uma cidade resistisse à captura e fosse tomada pela força, sua posse caberia às forças vitoriosas. Isso incluía não somente os edifícios e os bens, mas também as pessoas. Por isso, cada cidade ou fortaleza devia pensar muito bem se podia ou não resistir a um cerco: se não pudesse, o mais prudente era negociar os termos da rendição. No caso de Jerusalém, seus defensores resistiram até o último instante. Calcularam que as imponentes muralhas da cidade conteriam os Cruzados até chegarem os reforços do Egipto. Eles erraram: a cidade caiu e consequentemente foi saqueada. Muitos morreram, mas outros muitos foram aprisionados ou deixados livres para partir. Pelos padrões modernos, isso talvez pareça brutal, mas até mesmo um cavaleiro medieval poderia replicar dizendo que nos bombardeios modernos morrem mais inocentes – homens, mulheres e crianças – do que seria possível passar ao fio da espada em um ou dois dias.

Convém lembrar também que nas cidades muçulmanas que se renderam aos Cruzados, as pessoas foram deixadas em paz, na posse das suas propriedades, e com permissão para praticar livremente a sua religião. Quanto às ruas cheias de sangue, nenhum historiador aceita isso: não passa de um mero recurso literário. Jerusalém é uma cidade grande, e a quantidade de pessoas que seria necessário abater para inundar as ruas com dez centímetros de sangue é muito superior à população de toda a região.

Mito nº 4: As Cruzadas não passaram de colonialismo medieval enfeitado com ornamentos religiosos.

O Reino Latino de Jerusalém, fundado após a Primeira Cruzada, não era um latifúndio católico incrustado em terras muçulmanas, como depois viriam a ser as terras de plantio em algumas colónias ibéricas ou inglesas na América. A presença católica nesse Reino sempre foi mínima: menos de um décimo da população. O Reino de Jerusalém não era uma colónia agrícola nem industrial, como depois viriam ser as da América ou da Índia: era apenas uma cabeça-de-ponte fortificada.

A intenção primordial dos Cruzados era defender os Lugares Santos na Palestina – principalmente Jerusalém – e garantir um ambiente seguro para que os peregrinos cristãos pudessem visitá-los. Nenhum país europeu funcionava como metrópole, no sentido de manter relações de exploração económica.

Mito nº 5: As Cruzadas combateram também os judeus.

Nenhum Papa jamais conclamou uma Cruzada contra os judeus. Durante a Primeira Cruzada, um grande bando de arruaceiros – que não fazia parte do exército principal – decidiu atacar as cidades da Renânia para matar e roubar os judeus dali. O Papa Urbano II e os seus sucessores condenaram energicamente esses ataques.

Essas falhas foram um infeliz subproduto do entusiasmo pelas Cruzadas, mas nunca o seu objectivo.

Mito nº 6: As Cruzadas foram algo tão vil e degenerado que houve até uma Cruzada das Crianças.

A chamada “Cruzada das Crianças” de 1212 nem foi uma Cruzada nem consistiu num exército de crianças. Foi uma onda de entusiasmo religioso especialmente prolongada na Alemanha que levou alguns jovens – na maior parte adolescentes – a se auto proclamarem Cruzados e começarem a marchar rumo ao Mediterrâneo. O Papa Inocêncio III não convocou essa tal “Cruzada”, pelo contrário: pediu insistentemente para que os não combatentes ficassem em casa e apoiassem o esforço de guerra apenas com jejuns, orações e esmolas. Nesse episódio, depois de louvar o zelo e a disposição desses jovens que tinham marchado até tão longe, mandou-os de volta para casa.

Mito nº 7: O Papa João Paulo II pediu perdão pelas Cruzadas.

É um mito curioso, porque João Paulo II – que já havia pedido perdão por todas as injustiças que os cristãos cometeram ao longo dos séculos – foi muito criticado justamente por não ter pedido perdão expressamente pelas Cruzadas. É verdade que João Paulo II pediu perdão aos gregos pelo saque de Constantinopla em 1204, durante a Quarta Cruzada, mas o Papa da época, Inocêncio III, também já tinha manifestado o seu pesar a respeito desse trágico incidente. Da sua parte, Inocêncio III fizera tudo para evitar que isso acontecesse.

Mito nº 8: Os muçulmanos, que conservam uma viva lembrança das Cruzadas, têm toda a razão em odiar o Ocidente.

De fato, o mundo muçulmano tem uma lembrança das Cruzadas tão boa quanto a do Ocidente, ou seja, uma lembrança incorrecta. O mundo muçulmano costuma celebrar as Cruzadas como uma grande vitória sua (aliás, eles venceram mesmo). Mas os autores ocidentais, envergonhados do seu passado imperialista, inverteram os papéis e passaram a pintar as Cruzadas como uma agressão e os muçulmanos como pacíficos sofredores agredidos. Fazendo isso, simplesmente omitiram os séculos de triunfos muçulmanos, e em seu lugar colocaram apenas o consolo do vitimismo."

Texto publicado pelo Prof. Faria nos endereços electrónicos:
http://professorfariahistoria.blogspot.com/2010/08/as-cruzadas.html
http://professorfariahistoria.blogspot.com/2010/08/alguns-mitos-sobre-as-cruzadas.html

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os animais vão para o Céu?



Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra." (Gen. 1,26)


Os animais foram feitos para nos dar alegria e companheirismo, eles fazem parte de nossas vidas e no geral amamos muito os animais. Outros nos servem para transporte e ajudam no trabalho, como o cavalo, outros ainda servem para nosso alimento, porém, devo dizer que eles não vão para o Céu.

O Céu foi criado para o ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus, possuidor de uma alma espiritual, racional e indestrutível, logo, superior aos animais, São Francisco os chamava irmãos inferiores. Os animais não possuem alma imortal, nem entendimento como o Ser Humano, portanto sua existência é apenas temporal, ao contrário, a existência humana é eterna, o ser humano foi criado para o reencontro com o seu Criador, no Céu.

O Céu é a felicidade completa e eterna, essa felicidade consistirá em possuir a visão de Deus. É uma visão intelectual que só o anjo e o homem podem ter. Os animais não possuem possibilidade de conhecimento intelectual. Portanto, eles não podem ir ao Céu.

Os animais são capazes de se relacionar, de se organizar em sociedades (como as abelhas), de proteger suas crias (como os macacos), mas não são capazes de amar verdadeiramente. Os animais amam quando recebem algo, quando se habituam e todas suas acções são baseadas puramente no instinto animal. Portanto não poderiam estabelecer uma relação de amor com Deus, neste sentido, não há porque pensarmos que possam ir para o Céu.

Mas, se é assim, porque Deus os criou? Ele criou todas as coisas, todo planeta Terra está repleto de coisas belas e maravilhosas, na verdade o Planeta Terra é um paraíso, porém sua meta era o homem. Ele criou todas as coisas para o homem, para manifestar sua bondade infinita e o seu amor para connosco.

Há pessoas que tem um apego exagerado aos seus animais, personificam os animais, os tratam como filhos, neste sentido afirmam que se seus animais não vão para o Céu, elas também não querem ir. Isso é um absurdo tremendo, é idolatria! Quer dizer que os animais são mais importantes para essas pessoas do que o próprio Deus?

A mentalidade moderna é muito materialista, considerar que o homem também é um animal e compará-lo com os demais animais de maneira que o valor da vida de um homem seja igual a vida do animal é muito perigoso. É perigoso porque despe o homem de toda a sua natureza transcendente e o transforma apenas em mais um animal. É por essa razão que vemos em todo mundo uma ecologia exagerada onde visam, por exemplo, proteger os ovos de tartaruga, mas são à favor do aborto. A vida humana perdeu o seu valor e a vida dos animais tem agora mais valor que a vida humana? Há aqui uma inversão de valores tremenda! E há ainda quem diga que os animais são melhores que os Seres Humanos, porque não cometem as maldades e atrocidades que o ser humano comete.

A verdade é que o ser humano é o único “animal” inteligente, racional, que tem possibilidade de raciocínio, de linguagem e de vontade. Os animais não tem vontade, eles tem instinto. E além disso, um animal por mais “inteligente” que seja nunca poderia ler, não é mesmo?

"A certa altura a Igreja Católica debateu muito seriamente a questão sobre se os animais têm ou não uma alma: iriam os bons cães para o paraíso e os maus, que roubaram umas fatias de fiambre, arderiam no inferno para toda a eternidade. A negação da alma foi votada: mas é suficiente para honrar a espécie em causa que a questão tenha sido colocada". Alfred Barbou

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vaticano nega incompatibilidade entre Evolucionismo e Criacionismo



O Papa Bento XVI afirmou que o debate entre o criacionismo e o evolucionismo é “um absurdo” já que a teoria da evolução pode coexistir com a fé, no encontro que sustentara com o clero das dioceses de Belluno-Feltre e Treviso (Roma, 2007-07-26 (ACI; MSNBC News).

O Papa explicou que o evolucionismo e o criacionismo são apresentadas “como alternativas que se excluem a uma à outra. Esta oposição é um absurdo porque por um lado há muitos testes científicos a favor da evolução”, mas por outro lado esta teoria não responde a grande pergunta filosófica “De onde vem tudo?”, com a qual se entende a acção de Deus.

O Papa João Paulo II já havia dito que “a teoria da evolução é mais do que uma hipótese”; isto é, tem bases científicas.

Criação e evolução não se opõem entre si, desde que se admita que Deus criou a matéria inicial, dando-lhe as leis de sua evolução, e cria até hoje toda alma humana, que é espiritual. Esta matéria inicial pode ter dado inicio ao chamado Big Bang (a grande Explosão) segundo os astrofísicos modernos.

Segundo os darwinistas a partir do livro “A Origem das Espécies”, do inglês Charles Darwin, animais inferiores, durante milénios, foram evoluindo para espécies superiores, passando pelos primatas, dando no homem e na mulher, nesta sequência: Homo erectus, Homo faber e Homo sapiens.

Os criacionistas fazem uma interpretação literal do texto do livro do Génesis, afirmando ser Deus, por acção direta, o Criador de todas as espécies vivas e, de modo especial, da espécie humana. Para estes o primeiro casal humano não resultou, portanto, de uma longa milenar evolução das espécies animais, mas surgiu de uma acção omnipotente e sábia do próprio Deus.

Os criacionistas afirmam que “grande parte das estruturas biológicas humanas são complexas demais para terem surgido de acordo com o modelo darwinista de acumulo gradual de modificações aleatórias”. Acrescentam eles haver muitos “buracos” na teoria evolutiva “como o súbito aparecimento de formas de vida espantosamente variadas no período cambriano”. Sem a interferência de um “Projectista inteligente” (= Deus), não se explica nem a impressionante diversidade das espécies vivas e muito menos, da espécie humana.

Oficialmente, como vemos com este pronunciamento de Bento XVI, a Igreja Católica e o Magistério dos Papas não excluem a possibilidade da teoria evolucionista, desde que o início do processo evolutivo tenha tido origem partindo de Deus. Ele, o Criador, seria o autor das possíveis leis da evolução que, actuando durante milénios e milénios teriam resultado no primeiro casal humano. Assim, a hipótese darwinista da evolução das espécies, até dos primatas de que teria surgido o homem, é uma possível explicação ao lado do criacionismo que, também, tem a seu favor fortes razões filosóficas e não apenas religiosas ou bíblicas.

Publicado pelo prof. Felipe Aquino em:
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2007/07/27/papa-bento-xvi-aceita-a-teoria-da-evolucao/

A verdade é que a forma como Deus criou o universo o homem ainda não conseguiu descobrir. Também é verdade que as duas teorias não se excluem. Os evolucionistas podem dizer que o homem apareceu na terra muito antes os 10 mil anos que propõem os Criacionistas, o Homo sapiens, o homem moderno, apareceu há cerca de 200 mil anos. Mas, na Bíblia diz que Deus criou o mundo em 7 dias, neste caso, o que seria um dia para Deus? Um dia poderiam ser milhões de anos, pois para Ele não existe o tempo como existe para nós. Se considerarmos esse argumento podemos acreditar na evolução e continuar acreditando que Deus criou todas as coisas.

Deus criou primeiro todas as formas de vida e depois criou o homem, essa ordem também coincide com a evolução.

Deus seria a inteligência por trás de toda a criação, como São Tomas de Aquino afirmou que era preciso uma inteligência ordenadora para o universo. Existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada. Essa mesma inteligência seria responsável também pela ordem da evolução das espécies.