Credo in Unam, Sanctam, Cathólicam et Apostólicam Ecclésiam

"Na presença dos Anjos ei de cantar-Vos e adorar-Vos no vosso santuário."
(Salmo 137, 1)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Ateísmo X A Religião



“É em vão que o homem procura fugir de Deus. Isso é o mesmo que querer viver sob uma falsa identidade, na ilusão de ser realmente uma outra pessoa”.

Israel Zolli
Ex-rabino judeu convertido ao catolicismo


Um ateu convicto pouco se incomoda conosco, os teístas, como disse o famoso pensador ateu Paulo Flores d'Arcais em debate com o Papa Bento XVI, a época ainda cardeal, publicado no livro Deus existe?(Ed. Planeta): "Em um debate com estas características há uma grande assimetria, porque o crente está interessado em converter o não crente - está interessado no sentido mais elevado do termo, obviamente. Por outro lado, o ateu não está interessado em absoluto em convencer o crente da inexistência de Deus, não tem nenhum interesse em conseguir que alguém perca a fé."

Porém parece que as coisas mudaram os ateus agora estão empenhados no “combate as religiões” para então impor a sua própria ideia: o Materialismo/Ateísmo. Actualmente existe um ateísmo militante e agressivo que está em guerra contra as religiões. Mais especificamente, a guerra contra o cristianismo, é o movimento anti-cristão, também chamado de Cristianofobia.
(Leia mais em: http://temaspolemicosigreja.blogspot.com/2010/06/sociedade-anti-crista.html)

Esses ateus militantes fizeram campanha no mundo todo com slogans como: "A fé não dá respostas; ela só impede perguntas" ou “Deus não existe! Então pare de se preocupar e desfrute a vida!” Com o suposto objectivo de diminuir o preconceito contra ateus e agnósticos, porém o seu real objectivo era atacar a fé das pessoas.

Todo ateu é um pouco rancoroso mesmo, como disse o filósofo Luiz Felipe Pondé:

..."desculpe-me, ateísmo é coisa banal. Quando eu tinha oito anos era ateu. O ateísmo é óbvio (por isso comecei a desconfiar dele), diante do lamentável estado da vida: somos uma raça abandonada (Horkheimer). Ateísmo não choca mais ninguém (pelo menos quem já leu uns três livros sérios na vida), porque ateus já são vendidos às dúzias em liquidações."

"Poucos ateus não são descendentes de uma criança infeliz e revoltada...a prova disso é que ateus gostam de falar mal da igreja (nunca superaram aquela freira azeda), de Deus (esse malvado que não me fez mais forte), ou do pai judeu (que me obrigou a só namorar judias)... Ou acham que, se formos todos ateus, o mundo será melhor. Se você é assim e tem orgulho de ser ateu, você é um rancoroso."
(fonte:http://cristaocomprometido.blogspot.com/2010/12/noticia-na-folha-de-spauloempresas.html#more)

Por que será que a religião, uma convicção pessoal (como eles rotulam), incomoda tanta gente? Por que será que os religiosos incomodam tanto os ateus? Não será porque nós religiosos temos uma coisa que os ateus, com todo o seu racionalismo, não tem, que é esperança e razão de viver? Será que é porque nós religiosos encontramos um motivo para viver? Encontramos a fonte da felicidade eterna que está em Deus e eles não conseguem encontrar? Até procuram, mas não conseguem! Todo ser humano procura a felicidade, um sentido para a vida, digamos que está em nossa "programação". O ser humano somente será feliz quando reconhecer que faz parte de um plano maior, que sua vida tem todo o valor e sentido, e que depois de morrer não vai se tornar comida de vermes e sim viverá eternamente.

Todos os dias aparecem pesquisas que constatam que as pessoas que tem fé são mais felizes ou se curam mais rápido das doenças, ou ficam menos doentes, são mais optimistas na vida, entre muitas outras evidências. Pelo contrario, os ateus cometem mais suicídio, são mais infelizes e pessimistas. Vi uma estatística a pouco tempo em que constata-se que os "sem religião" estão numa proporção muito maior nas cadeias britânicas que os crentes.
(Ver em: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/21404-desproporcional-presenca-dos-%e2%80%9csem-religiao%e2%80%9d-nas-cadeias-inglesas)

Os ateus falam tão mal das religiões, porém qual foi a contribuição do ateísmo para a humanidade? Pelo contrario as religiões contribuíram e muito para o bem do ser humano.

Para reflexão:

"Ao ouvir as palavras eloqüentes de um pregador famoso, um ateu aproximou-se, arrogante, do religioso e observou-lhe:

- O sermão que o senhor acaba de proferir contém, a meu ver, argumentos que eu poderia rebater facilmente. Venho desafiá-lo, portanto, para uma discussão, em público, sobre os diversos pontos de doutrina e religião.

- Aceito o seu desafio - respondeu o pregador. - Imponho, porém, uma condição. Para assistir a essa discussão eu me comprometo a trazer cem pessoas de diferentes classes sociais que foram salvas do mau caminho (segundo poderão provar) e arrancadas do vício e do pecado pela fé cristã. O senhor será, também, obrigado a fazer-se acompanhar, não de cem, mas apenas de dez pessoas que pelos ensinamentos ateístas tenham sido afastados da vida pecaminosa e do crime.

O ateu não pode aceitar a condição imposta pelo adversário. Não lhe seria possível descobrir uma única pessoa que o ateísmo demolidor tivesse levado ao caminho do bem e da virtude.

Com efeito, a moral sem religião é incapaz de indicar ao homem o caminho do bem e da justiça; a moral sem Deus é moral falsa e ridícula. Tudo o que é perfeito e bom ditou-o a religião.

A religião é, também, um dever social. Para as sociedades como para os indivíduos, o cristianismo é a chave da felicidade, é a solução do problema da existência, é uma questão de vida ou de morte.

Para muitos, a religião não passa de atos culturais, igrejas, altares e velas; para outros, não excede o sentimentalismo de uma prece.

Ignoram, aqui, a existência da vida espiritual; conhecem-na, ali, mas tão superficialmente, que chegam a confundir o essencial com o acessório. "

(“Lendas do Céu e da Terra” - Malba Tahan - Texto no endereço: http://almascastelos.blogspot.com/2011/01/o-ateu.html)

Video - Abba Pater (Papa João Paulo II canta o Pai Nosso)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A propotência da ciência moderna



"Há mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe vossa vã filosofia."
(William Shakespeare)


O presente materialismo radical faz com que os cientistas fiquem completamente cegos para as realidades espirituais, tendendo a analisar todos os factos com os olhos da ciência, ignorando completamente o que seria espiritual.

Os cientistas actuais não podem ter a prepotência de tentar explicar tudo através da ciência, isso é cientificíssimo, é má ciência! A ciência foi feita para explicar os fenómenos naturais, mas o que dizer dos fenómenos sobrenaturais, para-normais e supra normais?

Meu objectivo com o tema não é desprezar a ciência, pelo contrário, todos reconhecemos os avanços extraordinários e a contribuição da ciência em nossas vidas, porém a ciência não é tudo, e ela tem sido endeusada por muitos.

Já dizia Louis Pasteur: "Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima." É incrível perceber que os grandes cientistas tiveram a humildade de reconhecer que o conhecimento científico por si só não é suficiente para explicar o mundo em nossa volta. Há grandes cientistas que acreditaram em Deus.

Ao contrário há cientistas cépticos que se fecham no mundo das equações e não vem nada para além disso. São incapazes de cogitar que exista algo além do Big Bang ou da teoria da evolução de Darwin, aliais Darwin é o seu deus… Porém quando são confrontados com falhas nas teorias científicas ou com realidades inexplicáveis (por incrível que pareça ainda há muita coisa sobre a face da terra que a ciência não explicou ainda, ou não consegue explicar) ficam sem resposta… Quando são questionados sobre a origem ou o fim de toda a vida, dizem logo que é o nada, ora, essa é uma resposta muito vaga e pessimista para um questionamento tão importante, se não o mais importante para o ser humano!

Há cientistas que querem ser deuses, deuses da ciência, há muita soberba no meio científico actual e deve ser realmente muito difícil hoje em dia ser um cientista crente… Os que querem ser deuses fazem de tudo, trabalham com todos os esforços, para tentar provar a inexistência de Deus, sem resultados concretos, claro. A Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos considera sem margem para dúvidas que “a ciência constitui um modo de conhecimento acerca do mundo natural. Limita-se a explicar o mundo natural através de causas naturais. A ciência nada tem a dizer acerca do sobrenatural. A ciência mantém-se neutra acerca da existência ou não de Deus.” (Teaching about Evolution and the Nature of Science, Washington, DC: National Academy of Sciences, 1998, p. 58)

O problema é que a ciência dos homens é loucura para os olhos de Deus e a ciência de Deus é loucura para os homens:

“Ninguém se iluda: se algum de vós se julga sábio diante deste mundo, faça-se louco para tornar-se sábio; pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus.” (I Cor 3,18-19)

“Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar.” (I Cor 2,14)

Este mundo material é apenas um rascunho do mundo futuro definitivo:

“A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.

Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.

Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.” (I Cor 13,9-12)

Este mundo faz-me lembrar do mito da caverna de Platão, em que as pessoas somente conheciam o mundo exterior através das sombras na caverna. A ciência humana é o homem tentando entender e explicar as sombras, porém quando ele sair e contemplar o mundo como ele é (“o mundo das ideias”, ou seja, o mundo de Deus) já não vai precisar das explicações das sombras…

“Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face” quando o homem se ver face a face com A Sabedoria Perfeita, que é Deus, o que será da nossa tão imperfeita ciência?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Inquisição




Introdução:

Um dos temas mais polémicos, usado sempre pelos adversários da Igreja, é a Inquisição. Porém para se compreender esse período histórico de mais de cinco séculos é preciso entender a mentalidade do homem da época. O principal erro cometido por quem deseja apontar os erros da Inquisição é analisar o ocorrido com o olhar e os valores modernos, isso é um absurdo em termos de história.

Naquela época existia uma mentalidade completamente diferente dos dias de hoje. Não existia o relativismo que existe hoje, o maior valor estava na ALMA e não no corpo. Por essa razão, se punia-se uma pessoa que podia fazer mal ao corpo (no caso de um assassino), ainda mais justo seria punir quem pudesse fazer mal a alma, a alma é muito mais importante que o corpo, porque o corpo morre, degenera, mas a alma é eterna. Então devia-se punir com severidade os hereges (pessoas que podiam fazer mal a alma, corrompendo outras pessoas). A tortura, que é vista com horror pelo homem moderno, era prática comum da época, era a forma de obter a confissão do acusado (porém a Igreja sempre foi contra esse tipo de prática). Se o homem medieval pudesse analisar os acontecimentos modernos também ficaria escandalizado, porque o homem moderno, com as bombas e toda a tecnologia de guerra moderna, mata de uma só vez muito mais gente do que se matava na época!

A Igreja era um elemento unificador dos povos, pacificador e promovia a ordem social. Por outro lado o advento de heresias, como a heresia cátara, ameaçavam a ordem social da época, pregando o suicídio, matando grávidas e espalhando todo tipo de desordens. Essas desordens faziam com que o povo fizesse justiça com as próprias mãos (roubavam os acusados as prisões do Estado e os queimavam nas fogueiras) e também eram condenadas muitas pessoas por interesses políticos do Estado. Por essa razão a Igreja formou O Santo Ofício, ou Tribunal da Santa inquisição que ajudou a SALVAR muita gente da fogueira. Quem condenava a morte na época era o ESTADO, era o braço secular e não a Igreja, a Igreja limitava-se a julgar os casos (dar o parecer se a pessoa era herege ou não) e depois, se fosse o caso, era entregue ao braço secular. O Número de mortes divulgado por quem quer difamar a Igreja é completamente absurdo (ver em: a inquisição exterminou 30 milhoes?), é exagerado e sem provas históricas. As prisões da Igreja eram tidas como muito melhores e mais misericordiosas do que as do estado, os familiares poderiam trazer tudo o que pudessem para oferecer conforto e dignidade ao preso.

Estas informações foram comprovadas pelo Simpósio do Vaticano sobre a Inquisição, ordenada por João Paulo II em 1998, onde foi feita uma análise séria sobre os factos históricos referentes ao tema, inclusive, com a autorização do Santo Padre para a consulta dos arquivos secretos do Santo Ofício. Foram convidados historiadores universalmente reconhecidos especializados em tribunais eclesiásticos, de vários credos. Nos resultados já não utilizam o tema da Inquisição como instrumento para defender ou atacar a Igreja. Diferentemente do que antes sucedia, acrescentou o presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos, «o debate se encaminhou para o ambiente histórico, com estatísticas sérias».

O tema é muito específico do campo de conhecimento de história então cito a seguir textos do Prof. José Antônio de Faria (Professor de História, autor do blog: http://professorfariahistoria.blogspot.com)

Sobre a Inquisição

"Inquisição (do latim Inquisitio Haereticæ Pravitatis Sanctum Officium) é um termo que deriva do acto judicial de inquirir, o que se traduz e significa perguntar, averiguar, pesquisar, interrogar etc.

No contexto histórico europeu, conforme alguns entendimentos filosóficos actuais, a Inquisição foi uma operação oficial conduzida pela Igreja Católica a fim de apurar e punir pessoas por heresia[1].

É a inspiradora dos tribunais, do direito à defesa do réu e da averiguação dos factos. Só funcionava para cristãos (católicos) e apenas em assuntos de fé e de moral.

Definição

A Inquisição ganhou mais relevo na época da Reforma (para os católicos) ou Contra-Reforma (chamada assim pelos protestantes) com as crescentes suspeitas populares. Portanto, trata-se de uma inquirição, em assuntos de fé, evitando a condenação de alguém sem investigação prévia. Tecnicamente, Inquisição é confundida com "Tribunal do Santo Ofício". O segundo é uma entidade que tem por função fazer inquisições. Ao contrário do que é comum pensar, o "tribunal do Santo Ofício" é uma entidade jurídica e não tinha forma de executar penas. O resultado da inquisição, feita a um réu, era entregue ao poder régio, muitas vezes com o pedido de que não houvesse danos nem derramamento de sangue. Este tribunal era muito comum na Europa a pedido dos poderes régios, pois queriam evitar condenações por mão popular.

Diz Oliveira Marques em «História de Portugal», tomo I, página 393: «(...) A inquisição surge como uma instituição muito complexa, com objectivos ideológicos, económicos e sociais, consciente e inconscientemente expressos. A sua actividade, rigor e coerência variavam consoante as épocas.»

Origem e histórico

As origens da Inquisição remontam a 1183, no averiguação dos cátaros de Albi, no sul de França por parte de delegados pontifícios, enviados pelo Papa. A instituição da Inquisição se deu no Concílio de Verona.

Numa época em que o poder religioso se confundia com o poder real, o Papa Gregório IX, em 20 de Abril de 1233, editou duas bulas que marcam o reinício da Inquisição. Nos séculos seguintes, ela julgou, absolveu ou condenou e entregou ao Estado (que aplicava a "pena capital", como era comum na época) vários de seus inimigos propagadores de heresias. Convém lembrar que ser cristão era entendido para lá de uma religião. Ser cristão era a maneira comum de ser e pensar. Um inimigo do cristianismo era entendido como inimigo do pensar comum e da identidade nacional.

A bula Licet ad capiendos (1233), a qual verdadeiramente marca o início da Inquisição, era dirigida aos dominicanos inquisidores: Onde quer que os ocorra pregar estais facultados, se os pecadores persistem em defender a heresia apesar das advertências, a privá-los para sempre de seus benefícios espirituais e proceder contra eles e todos os outros, sem apelação, solicitando em caso necessário a ajuda das autoridades seculares e vencendo sua oposição, se isto for necessário, por meio de censuras eclesiásticas inapeláveis. A privação de benefícios espirituais era a não administração de sacramentes aos heréticos, que caso houvesse ripostação deveria ser chamada a intervir a autoridade não religiosa (casos de agressão verbal ou física. Se nem assim a pessoa queria arrepender-se era dada, conscientemente, como anátema (reconhecimento oficial da excomunhão): "censuras eclesiásticas inapeláveis".

O uso da tortura era, de facto, bastante restrito e, aos poucos, foi sendo extinto dos processos inquisitoriais. Esta era apenas autorizada quando já houvesse meia-prova, ou quando houvesse testemunhas fidedignas do crime, ou então, quando o sujeito já apresentasse antecedentes como má fama, maus costumes ou tentativas de fuga. E ainda assim, conforme o Concílio de Viena, de 1311, obrigava-se os inquisidores a recorrerem à tortura apenas quando o bispo diocesano, junto de uma comissão julgadora, houvesse aprovado a mesma em cada caso em particular. Também é sabido que a tortura aplicada pela inquisição era, por demais, mais branda que a aplicada pelo poder civil, não permitindo, de forma alguma, amputação de membros (como era comum na época), e não permitindo perigo de morte. Convém explicar que a tortura era um meio incluído no "inquiridio". São mais comuns os casos de endemoninhados ou réus em suspeita mentira.

No entanto, e bem mais tarde, já em pleno século XV, os reis de Castela e Aragão, Isabel e Fernando, solicitam, e obtêm do Papa a autorização para a introdução de um Tribunal do Santo Ofício: a Inquisição. Tal instituição afigurava-se-lhes necessária para garantir a coesão num país em unificação (foi do casamento destes dois monarcas que resultou a Espanha) e que recentemente conquistara terras aos mouros muçulmanos na Península Ibérica e expulsara alguns dos judeus, por forma a obter «unidade» nacional que até ali nunca existira. A acção do Tribunal do Santo Ofício tratou de mais casos depois da conversão de alguns judeus e mouros que integravam o novo reino. Alguns judeus e mouros preferiram renegar as suas religiões, e abraçar o cristianismo, a abandonar a nova terra conquistada. A estes é dado o nome de "cristãos-novos": alguns esqueciam de facto a religião dos seus antepassados, outros continuavam a praticar secretamente a antiga religião. Eram frequentes os levantamentos populares e muitas denuncias por parte dos "cristãos velhos".

Sendo essencialmente um tribunal eclesiástico, desde cedo o reino, o poder régio se apossou do mesmo, por forma a prosseguir os seus particulares fins económicos, esquecendo o fundamental "inquiridio" aos réus por motivos religiosos. Tomado pelo poder régio, o Tribunal da Santa Inquisição, em Espanha, deu azo a uma persistente propaganda por parte dos inimigos da Espanha católica: ao sujeitar o poder da fé ao poder da lei, da coação, e da violência, a Inquisição espanhola tornou-se, no imaginário colectivo, uma das mais tenebrosas realizações da Humanidade.

Mais tarde, em certas regiões da Itália, e em Portugal, o Papa autorizou a introdução de instituições similares, em condições diferentes. No caso de Portugal, a recusa do Papa ao pedido, tendo visto os abusos da Espanha, mereceu que o rei tivesse como alternativa ameaçar com a criação de uma "inquisição" régia, que segundo ele era coisa urgente para o reino. De facto, a introdução da Inquisição em Portugal resultou das pressões espanholas que, para além de uma sinceridade zelota, não queriam ver o reino rival beneficiar com os judeus e mouriscos expulsos de Espanha."
http://professorfariahistoria.blogspot.com/2010/11/sobre-inquisicao.html

Inquisição em Portugal

"O rei D. João III de Portugal (1521-57) desejava que o Papa estabelecesse a Inquisição em seu reino, tendo em vista especialmente a eliminação dos judeus não plenamente convertidos ao Cristianismo. Durante 27 anos, S. Majestade e a Santa Sé se defrontaram, visto que o rei pedia poderes, em matéria religiosa, que o Papa não lhe queria conceder: Assim, conforme o monarca, o Inquisidor-mor seria escolhido pelo rei, assim como os outros Inquisidores (subordinados), podendo estes últimos ser não apenas clérigos, mas também juristas leigos, que passariam a ter a mesma jurisdição que os eclesiásticos. Mais: Conforme o desejo do rei, os Inquisidores estariam acima dos Bispos e dos Superiores das Ordens Religiosas, de modo que poderiam processar e condenar eclesiásticos sem consultar os respectivos prelados; os Bispos ficariam impedidos de intervir em qualquer causa que os Inquisidores chamassem a si. Ainda: Os Inquisidores poderiam impor excomunhões reservadas à Santa Sé e levantar as que eram impostas pelos Bispos. Como se vê, o rei queria desta maneira obter o controle total sobre os Bispos e a Igreja em Portugal.

Finalmente aos 17/12/1531 o Papa Clemente VII concedeu a Inquisição em Portugal, mas em termos que contrariavam às solicitações de D. João III: Em vez de outorgar ao rei poderes para nomear os Inquisidores, o Papa nomeou directamente um Comissário da Sé Apostólica e Inquisidor no reino de Portugal e nos seus domínios. Esse Comissário poderia nomear outros Inquisidores, mas a sua autoridade não estava acima da dos Bispos, que poderiam também, por seu lado, investigar as heresias.

Os termos desta Bula ou concessão nunca foram aplicados em Portugal. O Inquisidor nomeado, Frei Diogo da Silva, era o confessor do rei; não aceitou o cargo, talvez por pressão do monarca. Apesar disto, em meio a grande agitação popular, começaram a funcionar tribunais inquisitoriais em algumas dioceses anarquicamente. Em consequência, o Papa suspendeu a Inquisição e, alegando que o rei o enganara (escondendo-lhe a conversão forçada de judeus no reinado de D. Manoel, 1495-1521) ordenou a anistia aos judeus e a restituição dos bens confiscados (Bula de 07/04/1.535).

As razões sobre as quais se baseavam tais decisões de Clemente VII, são assaz significativas: A conversão dos judeus infiéis deve ser propiciada mediante a persuasão e a doçura, das quais Cristo deu o exemplo, respeitando sempre o livre arbítrio humano; a conversão violenta ou extorquida dos judeus sob o reinado de D. Manoel era tida como façanha que não se deveria reproduzir. A Santa Sé assim procurava defender e proteger os cristãos-novos, vítimas do poder régio.

O Papa Clemente VII, que resistira a D. João III, morreu em 1534, tendo por sucessor Paulo III. O rei voltou a insistir junto ao Pontífice para conseguir o tipo de tribunal de Inquisição que atendia aos interesses da Coroa. Não o obteve propriamente, mas por Bula de 23/05/1536 Paulo III restabeleceu a Inquisição em Portugal, nomeando três Inquisidores e autorizando o rei a nomear outro; além disto, o Pontífice mandava que, durante três anos, os nomes das testemunhas de acusação não fossem acobertados por segredo e durante dez anos os bens dos condenados não fossem confiscados; os Bispos teriam as mesmas faculdades que os Inquisidores na pesquisa das heresias. Por intermédio de seu Núncio em Lisboa, o Papa reservava a si o direito de fiscalizar o cumprimento da Bula, de examinar os processos quando bem o entendesse e de decidir em última instância.

É a partir desta Bula (23/05/1536) que se pode considerar estabelecida a Inquisição em Portugal. O rei, que não se dava por satisfeito com as disposições da Santa Sé, começou a burlá-las. Quis, antes do mais, subtrair a Inquisição à vigilância do Pontífice e, para tanto, suscitou incidentes numerosos a ponto de obrigar a partir o Núncio Capodiferro, que tinha poderes para suspender o tribunal, caso não fossem respeitadas as cláusulas de protecção aos cristãos-novos. Além disto, nomeou Inquisidor o Infante D. Henrique, seu irmão, então Arcebispo de Braga que, com seus 27 anos, não tinha idade legal para exercer tais funções. Enfim aproveitava ou provocava ocasiões ou pretextos para fazer que o público cresse na má fé dos judeus convertidos (cristãos novos): Assim apareceu um cartaz nas portas da catedral e de outras igrejas de Lisboa, anunciando a chegada próxima do Messias... Um alfaiate de Setúbal apresentou-se ao público como Messias, o que não foi levado a sério pela população, mas bastou para que os agentes do rei fizessem grandes represálias e tentassem convencer Roma dos perigos do judaísmo em Portugal.

Apesar da má vontade do rei, o Papa fazia questão de manter sob seu controle o Santo Ofício em Portugal. Reforçando normas anteriores, o Pontífice emitiu nova Bula em 12/10/1539, que proibia aduzir testemunhas secretas e concedia outras garantias aos acusados, entre as quais o direito de apelação para o Papa; determinava outrossim que os emolumentos dos Inquisidores não fossem pagos mediante os bens dos prisioneiros.

Também esta Bula não foi observada em Portugal. O Papa então resolveu suspender a Inquisição pelo Breve de 22/09/1544; tomou a precaução de fazer publicar de surpresa em Lisboa este documento, levado secretamente para lá por um novo Núncio. O rei, profundamente golpeado, jogou a sua última cartada; requereu ao Papa que revogasse a suspensão e restaurasse a Inquisição sem qualquer limitação, e acrescentava a ameaça: "Se Vossa Santidade não prover nisso, como é obrigado e dele se espera, não poderei deixar de remediá-lo confiando em que não somente do que suceder Vossa Santidade me haverá por sem culpa, mas também os príncipes e os fiéis cristãos que o souberem, conhecerão que disso não sou causa nem ocasião."

Tais palavras continham a ameaça de desobediência formal ao Papa e de cisão na Igreja. D. João III seguiu o conselho que lhe fora dado pelos seus dois enviados à Santa Sé em 1535: Negasse obediência ao Papa, imitando o exemplo do rei Henrique VIII da Inglaterra. Entre a obediência ao Papa, como fiel católico, e a rebeldia declarada que lhe permitisse instituir um tribunal, que era no fundo um instrumento da política régia, o rei de Portugal estava disposto a seguir a segunda via.

O Pontífice via-se naquele momento (1544/45) premido por outras graves preocupações, como a convocação e a preparação do Concílio de Trento, sobre o qual o Imperador Carlos V e outros monarcas tinham seus interesses. Em consequência, acabou por aceitar os pontos principais da solicitação de D. João III: Por Bula de 16/07/1547, nomeou lnquisidor-Geral o Cardeal Infante D. Henrique, e retirou aos Núncios em Lisboa a autoridade para intervirem nos assuntos de alçada da Inquisição; esta seguiria seus trâmites próprios, diversos dos habituais nos processos comuns. Ao mesmo tempo, porém, o Papa mitigava suas disposições: Promulgou um Breve que suspendia o confisco de bens por dez anos; outro Breve suspendia por um ano a entrega de condenados ao braço secular (ou a aplicação da pena de morte). Em outro Breve ainda o Papa fazia recomendações tendentes a moderar os previsíveis excessos da Inquisição e a permitir a partida dos cristãos-novos para o estrangeiro. Pouco antes de morrer ou aos 08/01/1549, Paulo III editou novo Breve, que abolia o segredo das testemunhas; Breve este que provavelmente nunca foi aplicado em Portugal."
http://professorfariahistoria.blogspot.com/2010/08/inquisicao.html

Algumas Afirmações dos especialistas:

“Portanto, contrariamente ao que se pensa, apenas uma pequena porcentagem do procedimento inquisitorial se concluía com a condenação à morte.” (Adriano Garuti, La Santa Romana e Universale Inquisizione, p. 415 in L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“A inquisição podia haver causado um holocausto de bruxas nos países católicos do Mediterrâneo, mas a história demonstra algo muito diferente, a Inquisição foi aqui a salvação de milhares de pessoas acusadas de um crime impossível.” (Gustav Henningsen, La inquisición y las brujas, p. 594. L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“A documentação correspondente a Idade Moderna, ao contrário das fontes correspondentes ao medievo, é tão abundante, que nos permite com grande segurança calcular o número de bruxas queimadas pela inquisição. As cifras, por inesperadas, resultam assombrosas. Para Portugal é 4. Para Espanha, 59, para Itália, 36.” (Gustav Henningsen, La inquisición y las brujas, p. 582. L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“Sua exagerada suposição de que o santo Ofício, nesses dois séculos (XV-XVI), havia queimado a 30.000 bruxas, faz tempo que deixou de ser levado em consideração pela ciência.” (Gustav Henningsen, La inquisición y las brujas, p. 576)

Não foi a Inquisição quem iniciou a perseguição às bruxas, senão a justiça civil nos Alpes e na Croácia” (Gustav Henningsen, La inquisición y las brujas, p. 576.L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“O certo é que, ao contrário do que comumente se crê, as perseguições de bruxas não se deveram a iniciativa da Igreja, foram manifestação de uma crença popular, cuja bem documentada existência se remonta a mais remota antiguidade.” (Gustav Henningsen, La inquisición y las brujas, p. 568. L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“Dos processos que se vão publicando e também das biografias de inquisidores que vão aparecendo, se pode constatar que estes eram em geral pessoas com uma formação jurídica elevada e que suas actuações foram muito maioritariamente conforme ao direito, ainda que houvesse sem dúvida abusos.” (Arturo Bernal Palácios, El estatuto jurídico de la Inquisición, p. 152. L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“De todas as formas, o direito inquisitorial neste ponto é um direito privilegiado como bem escreveu o professor Enrique Gacto, já que contém sanções mais benignas que as do direito penal ordinário ou secular, em que o delito de heresia é reprimido inapelavelmente com a pena de morte. Mas o réu de heresia, resgatado pela jurisdição inquisitorial, tem aberta uma via que lhe permite escapar a esta sanção máxima e, com efeito, a evita sempre que confesse e manifeste seu arrependimento de forma suficiente.” (Arturo Bernal Palácios, El estatuto jurídico de la Inquisición, p. 140. L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“A pena de morte foi empregada não somente na inquisição, mas praticamente em todos os outros sistemas judiciários da Europa.(…) O professor Tedeshi afirma: ‘tenho a convicção de que as futuras investigações demonstrarão que a pena capital foi usada com menor freqüência e com mais respeito pela dignidade humana nos tribunais do Santo Ofício do que nos civis.’” (Adriano Garuti, La Santa Romana e Universale Inquisizione, p. 417. L´Inquisizione, Atti del simpósio internazionale. Cittá del Vaticano, 2003)

“Em uma época em que o uso da tortura era geral nos tribunais penais europeus, a Inquisição espanhola seguiu uma política de benignidade e circunspeção que a deixa em lugar favorável se se compara com qualquer outra instituição. A tortura era emprega somente como último recurso e se aplicava em pouquíssimos casos.” (Henry Kamen, La Inquisición Española: una revisión histórica. Barcelona: Crítica, 2004, p. 184)

“As cenas de sadismo que descrevem os escritores que se inspiraram no tema possuem pouca relação com a realidade” (Henry Kamen, La Inquisición Española: una revisión histórica. Barcelona: Crítica, 2004, p. 185)

“Em comparação com a crueldade e as mutilações que eram normais nos tribunais seculares, a Inquisição se mostra sob uma luz relativamente favorável; este fato, em conjunção com o usual bom nível da condição de seus cárceres, nos faz considerar que o tribunal teve pouco interesse pela crueldade e que tratou de temperar a justiça com a misericórdia.” (Henry Kamen, La Inquisición Española: una revisión histórica. Barcelona: Crítica, 2004, p. 187)

“O número proporcionalmente pequeno de execuções constitui um argumento eficaz contra a leyenda negra de um tribunal sedento de sangue.” (Henry Kamen, La Inquisición Española: una revisión histórica. Barcelona: Crítica, 2004, p. 197)

“As fontes históricas demonstram muito claramente que a Inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura “relativamente pouco frequente e geralmente moderado, era o recurso à pena capital, excepcional depois do ano 1500″. O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura. Os manuais para inquisidores convidavam a que se desconfiasse dela, porque os fracos, sob tortura, confessariam qualquer coisa, e nela os “duros” teriam persistido facilmente. Ora, porque quem resistia à tortura sem confessar era automaticamente solto, vai de si que como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada por escrito pelo imputado posteriormente, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo). (Rino Camilleri,.La Vera Storia dell ´Inquisizione, Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, p.p. 46-47).
http://professorfariahistoria.blogspot.com/2010/11/lenda-negra-da-inquisicao.html

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quando bebês passaram a ser "acidentes"?


ACIDENTES ACONTECEM
É por isto que temos a pílula do dia seguinte


Hoje nos EUA é o dia da mais importante manifestação Pró-Vida, que vem acontecendo há 35 anos na mesma época em que os abortistas comemoram a decisão judicial que levou à legalização do aborto.

Levado pela palavra de um dos conferencistas da ProLifeCon a checar certas informações na página da tristemente famosa Planned Parenthood, a maior rede abortista dos EUA e do mundo, a primeira imagem que vi foi a que vai acima.

Esta imagem aparentemente neutra, escolhida a dedo para passar uma idéia de leveza e de naturalidade, esconde uma realidade que não condiz com o sorriso da modelo. Quando pensamos que a chamada pílula do dia seguinte pode causar um aborto (sem contar a imoralidade da contracepção artificial), é de se perguntar o porquê do sorriso, da leveza, da naturalidade quando se trata de um assunto tão importante.

O ato sexual, que deveria ser a expressão de amor entre um homem e uma mulher dentro do casamento, aqui é rebaixado à categoria de mero "acidente". Nossa divina capacidade de demonstrar o amor é deixada aqui no mesmo patamar de uma topada ou no ato de perder as chaves de casa. É uma coisa casual, afinal "acidentes acontecem", como indicado na página da Planned Parenthood.

E os bebês concebidos nestes "acidentes" ganham também o mesmo status de acidente, obviamente. Quem diria que chegaria o dia em que crianças, o futuro da nação, nosso futuro, a maior alegria que pode ser dada a um casal, quem diria que um dia seriam chamados de "acidentes".

Não é por menos que vemos a cada dia aumentar o número de jovens, homens e mulheres, que têm visão negativa sobre gravidez, sobre serem pais e mães.

O sorriso casual da jovem modelo indica outra coisa igualmente grave: que se pode viver do jeito que quiser sem que haja conseqüências. Talvez um dos momentos marcantes da passagem para a vida adulta é exatamente a compreensão de que nossos atos, pelos quais temos responsabilidades, têm conseqüências. E, no entanto, ao chamar uma potencial gravidez de "acidente", como uma coisa praticamente desconectada do ato que a produziu, o que se está é criando gerações de jovens que entrarão pela vida adulta sem a consciência de seus atos.

E é exatamente este tipo de desconexão com a realidade que muito favorece a indústria abortista. Para uma indústria cujo lucro está no maior número possível de abortos, qualquer traço de consciência sobre o que é realmente o aborto deve ser escondido.

Publicado em:
http://contra-o-aborto.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Por que as mulheres não podem ser sacerdotes?



"O assunto foi apresentado por uma minoria de eclesiásticos que creíam saber interpretar as moções de algumas mulheres do nosso tempo, e isso deu lugar a inevitáveis comentários de uma imprensa ávida por notícias sensacionalistas, pronta a encontrar fisuras no corpo da Igreja.

Os promotores do sacerdócio feminino procuraram argumentos de índole bem variada para sustentar sua proposta. Entre todos eles, se põem especial ênfase naqueles que manifestam maior seriedade.

1) Adaptação da Igreja às características da sociedade moderna

Depois de séculos de opressão, a mulher se situa hoje em uma atitude reivindicadora (o desejo de otorgar-lhes o sacerdócio não procede, entretanto, de uma emancipação feminista, senão que foi promovido por eclesiásticos, principalmente). A Igreja deve acolher institucionalmente e a todos os níveis essa atitude, e superar assim seu passado anti-feminista.

Aqui, é facilmente observável tão só uma concepção humana da Igreja, como se ela pudesse reiterar sua essência constitutiva. Sua estrutura fundamental não deriva da sociedade, ou da cultura, ou da mentalidade do seu tempo. A Igreja não pode pretender fazer-se acreditável ou aceitável para os homens deixando de lado o que ela é, mesmo se houvesse uma maioria que reclamasse tal opção: como Cristo, será sempre o não da contradição, necessidade para alguns e escándalo para outros, fiel à vontade divina expressada pela Revelação, conservada em sua fé e em sua vida de modo contínuo e homogéneo, por vinte séculos, com a assistência do Espírito Santo.

2) Igualdade de direitos entre o homem e a mulher

É muito justo falar sobre a igualdade de direitos do homem e da mulher na sociedade civil, baseado na sua condição de pessoas, e baseado em que a natureza humana é uma e a mesma no homem e na mulher. Também é muito justo falar sobre a igualdade radical de todos os fiéis em Cristo: igualdade em sua comum dignidade de filhos de Deus pela graça, igualdade na vocação universal à santidade e a bem-aventurança no Céu, igualdade também do dever fundamental de cooperar activamente na salvação das almas. Tudo isso comporta também uma certa igualdade de direitos na Igreja (entretanto aqui convêm ter uma certa cautela ao falar de direitos: porque, nesta ordem sobrenatural, dependem do que Deus tenha querido livremente conceder-lhe). Todos os fiéis -tanto o homem como a mulher- foram igualmente regenerados por Cristo no batizado e feitos participantes da sua missão salvadora.

Entretanto, nenhum fiel-nem homem, nem mulher- tem realmente nenhum direito ao sacerdocio ministerial. Como no caso da eleição dos apóstolos e do apóstolo das gentes, é Deus quem chama ao sacerdócio a quem quer, quando quer e como quer: “Ninguém se atribua essa dignidade, se nao é chamado por Deus, como Aarón”.

A ordenação sagrada não está na linha dos direitos dos fiéis, não é como o desenvolvimento do sacerdócio comum de todos. O sacerdócio ministerial é um dom peculiar, pelo que Cristo chama a alguns para que obrem em Seu nome, com Sua autoridade, para prestar à Igreja um ministério peculiar. Como gratuitas e não devidas aos homens foram a Encarnação e Redenção, gratuitas e não devidas são as condições estabelecidas por Deus para escolher a alguns para o ministério sacerdotal.

Isso não se opõem a igualdade fundamental dos fiéis, nem divide aos cristãos em duas categorías: argumentar de outro modo seria cair em um clericalismo demagógico, como antes tivemos outro pseudo-aristocrático. A Virgem Maria, venerada com um culto especial, muito à cima dos santos, nunca teve um grau hierárquico na Igreja.

3) A proibição procede de uma cultura e uma mentalidade pagã

Os promotores do sacerdócio feminino argumentam que Cristo escolheu somente homens pelas condições sociais da época e da influência da mentalidade pagã. A escolha de homens seria simplesmente um acontecimento histórico superável. Ainda mais, mesmo que houvesse influências pagãs na primitiva cristandade -dizem-, se conferem determinados ministérios às mulheres.

O Senhor escolheu como apóstolos a doze homens. Haviam mulheres que o seguiam e serviam – algumas mais fiéis e enérgicas que os apóstolos-, mas não as chamou para o ministério sacerdotal. Quem pensa que Cristo se deixava influenciar pelas circunstâncias da época, mostram, ainda mais uma atitude irreverente, uma total incapacidade para conhecé-lo: os Evangelhos dão testemunho mais que suficiente da sua capacidade para superar os condicionamentos externos.

Por outro lado é vão afirmar que a eleição exclusiva de homens foi um acidente e não uma manifestação de uma vontade querida e perdurável: a Revelação nos é comunicada com palavras e com obras, e estas não constam somente na Escritura, senão também na Tradição, e segundo a proposição autorizada pelo magistério unitário e permanente.

A menção de que a mentalidade pagã dificultava a elevação da mulher ao magistério sacerdotal, está mal fundamentada, logo não é certa: precisamente no mundo pagão contemporâneo da Igreja primitiva eram frequentes as sacerdotisas, as vestais, etc., entretanto, as diáconas da Igreja realizavam somente ofícios assistênciais, de preparação catequética, etc. Não há precedente algúm do sacerdócio da mulher.

4) A madurez laical

O reconhecimento do valor do sacerdócio comum dos fiéis e a corresponsabilidade de todos os cristãos na missão única da Igreja, exigem a presença ativa da mulher em todos os ministérios eclesiásticos. Os que argumentam assim dizem que o problema consiste simplesmente em dar o verdadero valor ao sacerdócio comum dos fiéis. Chegou o momento histórico -concluem- em que a comunidade deve confiar a qualquer um de seus membros, segundo as própias circunstâncias, qualquer ministério e presidência sem discriminação alguma.

Se revela aqui uma ótica clerical que leva a conceber o sacerdócio ministerial como um ascenso dentro da organização eclesiástica, como uma potenciação da vocação cristã, como a meta -o fim- de uma carreira, ignorando a realidade eclesial e sumamente eficaz de uma existência cristã plenamente secular.

Daí que o Santo Escrivá de Balaguer, que dedicou sua vida a defender a plenitude da vocação cristã do laico, (homens e mulheres contemporâneos que vivem no meio do mundo, e portanto procurando o pleno reconhecimento teológico e jurídico da sua missão na Igreja e no mundo) viu-se impulsado a declarar que o cristão contemporâneo, pode cumprir sua missão específica, também a que lhe corresponde dentro da estrutura eclesial, somente se não se clericaliza, se continua sendo secular, contemporâneo, e vivendo e participando das ânsias do mundo.

Ainda mais, o argumento citado revela também uma confusão entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, erro que já se incluia no repertório herético de Lutero. A diferença essencial, e não de grau, entre ambos, foi manifestada frequentemente pelo Magistério Eclesiástico.

Consideramos os princípios fundamentais que respondem aos argumentos mais significativos; poderiam agregar-se outras razões de conveniência, mas seriam acidentais: o que importa essencialmente é como Deus dispôs as coisas; Deus dispôs os membros no corpo, que é a Igreja, e somente Deus sabe as razões que teve para assim fazê-lo."
http://www.aciprensa.com/


"O papa Bento 16 se opõe totalmente à nomeação de mulheres sacerdotisas e seu predecessor, João Paulo II, inclusive proibiu que o tema seja discutido publicamente.

Em 2002, quando sete mulheres católicas romanas foram ordenadas extra-oficialmente como sacerdotisas, elas foram imediatamente excomungadas pela Igreja."

Muitos questionam esta posição da Igreja e para refutar esta idéia coloco aqui as palavras de SÃO THOMÁS contra a ordenação de mulheres:

S. Thomas afirma que as mulheres não podem receber a ordenação sacerdotal porque o sacramento não exige somente a res, mas também o seu significado, exemplificando da seguinte maneira: como para a EXTREMA UNÇÃO é necessário que a pessoa que a recebe esteja doente, para manifestar o significado de cura de tal sacramento (da alma, mais do que da saúde física), assim, quem é ordenado, recebe o poder de agir in persona Christi; portanto a sua pessoa deve referir-se ao próprio Cristo, o qual era homem e não mulher. Além disto, explica S. Thomas, a ordenação de uma mulher não é possível enquanto esta deve se sujeitar ao homem, enquanto, pelo contrário, o sacerdócio deve manifestar também o poder e a autoridade de Cristo. E é exatamente por este último motivo que a mulher não pode fazer parte da hierarquia eclesiástica; ela pode auxiliar, além das orações e sacrifícios, com a sua preciosa e laboriosa colaboração" (Cfr. Super IV libros Setentiarum, IV, d. 25, q. 1, a. 2. Nota: Texto publicado pelo jornal SÌ SÌ NO NO [15/06/06 - pág. 4)."
http://santopapabentoxvi.blogspot.com/2010/09/por-que-mulheres-nao-podem-ser-padres.html